Andes: Arrogância e isolamento
Por Maurício Francisco Ceolin*
A Atual diretoria da Andes, insensível às evidências e, inclusive, aos apelos de suas bases, permanece querendo intitular-se “legítima representante de todos os professores do ensino superior”.
De fato é difícil sustentar tal afirmação quando a ambição da Andes em tornar-se sindicato nacional faz água por todos os lados. Do lado das Instituições Federais, a transformação do Proifes (Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior) em sindicato, apesar dos protestos mentirosos da diretoria da Andes, logrou êxito e ganhou o apoio de milhares de professores da maioria das universidades federais. Do lado das instituições estaduais, a Andes sequer participa das principais negociações, as quais ficam a cargo de organizações independentes, como é o caso do Foro das Seis em São Paulo. E o que dizer da “representatividade” da Andes nas particulares, quando apenas UM delegado deste setor compareceu ao seu último congresso? Realmente assim fica difícil falar em representatividade sindical.
Por outro lado, invocando a tese da “liberdade de organização sindical” a Andes resolveu instituir-se em Sindicato Nacional. Esta pretensão seria até possível caso se limitasse ao setor público, mas revelou-se um erro inaceitável quando a Andes tentou incluir, por decreto, em sua representação os professores das IES particulares. Mais que isso, na arrogância que somente os “donos da verdade” detém, passou a atacar, política e judicialmente, os sindicatos que representam estes professores, sindicatos estes com verdadeira representatividade, formados em décadas de luta e de conquistas para a categoria dos professores do ensino superior das IES particulares.
Com isso, a Andes pretendeu levar tudo de roldão: a lei, a história- falseada a seu favor - e a sua tão querida (quando útil à sua causa) “liberdade de organização sindical”.
É falsa a colocação de que a Andes se opõe à unicidade sindical: sua ação desmente o seu discurso, e chega a ser difícil rastrear os parâmetros ideológicos que norteiam o pensamento da direção da entidade, notadamente no que se refere ao ensino particular. O que é possível perceber são dois erros graves: dividir o indivisível, ou seja, a categoria dos professores, separando-os por níveis de ensino; e juntar o público e o particular, misturando realidades trabalhistas absolutamente diversas e incompatíveis. Se a primeira destas posições aponta para um inaceitável e anacrônico elitismo, as duas mostram um profundo desconhecimento da realidade das relações capital-trabalho. De qualquer forma, o interesse do trabalhador parece ficar em terceiro plano, abaixo de questões pessoais e das posições políticas dos dirigentes da Andes.
Se a realidade da situação política da Andes é grave, a sua situação jurídica é ainda pior. Embora seu lobby propagandeie vitória próxima, embora a meia-verdade do seu discurso encante desavisados setores políticos, a verdade é que a pretensão de “abocanhar” sob sua tutela todo o professorado do ensino superior é inviável, também juridicamente, e a luta da Andes para manter acesa a esta pretensão tem sido extremamente prejudicial a todos.
A organização por local de trabalho é uma necessidade da classe trabalhadora, e a junção delas em entidades nacionais é um passo importante na luta dos trabalhadores. Não fosse a sua arrogância, a direção da Andes já haveria compreendido que o caminho traçado no momento da sua fundação, ou mesmo aquele de tornar-se Sindicato Nacional – desde que tomasse como base os professores do ensino público – é o que melhor atende as necessidades dos trabalhadores em educação. E também teria percebido que o rumo que resolveu seguir é errôneo, prejudicial à própria causa que prega, e leva a um isolamento que, em letras garrafais, já se anuncia.
* Maurício Francisco Ceolin é diretor de Imprensa do Sinpro Campinas e professor da PUC-Campinas
Publicado em 17/03/2009
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