Niemeyer recebe presente de Fidel pela delegação brasileira

Por Augusto César Petta*

No dia 26 de dezembro último, tive a feliz oportunidade de participar da entrega do presente de Fidel Castro para Oscar Niemeyer, pela passagem dos 100 anos. A entrega foi feita pelo Ministro Conselheiro da Embaixada de Cuba, Alejandro Palácios, acompanhado de uma comitiva formada pela Presidente do Comitê de Defesa da Humanidade, Marília Guimarães, pelo Ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, e pela atriz, Ana Cristina Lemos Petta.

Fidel enviou junto com o presente, um cartão, enaltecendo as qualidades do aniversariante, que chega aos 100 anos de idade, mantendo com firmeza os valores revolucionários.

O evento ocorreu no escritório de Niemeyer, num edifício antigo, em Copacabana, no Rio. Situado no último andar, o escritório tem a marca do grande arquiteto, com vidros de linhas curvas, que permitem visualizar, como diz o próprio Niemeyer, "o mar imenso e o céu de Copacabana". Trata-se de uma imagem que é considerada como uma das mais belas do mundo.Se você mantiver uma certa distância dos vidros, tem a sensação de que o mar está passando por baixo do escritório.

Fiquei impressionado com a lucidez de Niemeyer, que fala sobre os mais variados temas, enaltecendo a participação da juventude no processo de transformação da sociedade, considerando Fidel como o grande comandante da luta pela libertação da América Latina, insistindo na importância de persistirmos na luta pela conquista do socialismo, mantendo sempre a perspectiva da vitória dos revolucionários.

Ao mesmo tempo, contou-nos, com muito humor, um episódio ocorrido, por ocasião da visita que recebeu de Fidel, no referido escritório. A conversa dos dois foi muito animada, terminando por volta meia-noite. Fidel despediu-se de Niemeyer e, quando se aproximou do elevador, constatou que o mesmo não estava funcionando. Para descer até o térreo, a outra alternativa tinha como pré-requisito passar por dentro de um dos apartamentos.

Após tocar a campainha do referido apartamento, a porta abriu-se e o morador de pijama, recebeu um pedido surpreendente e inusitado:"o senhor permite que transite agora, no interior do seu apartamento, Fidel Castro e os seus três seguranças (que segundo Niemeyer tinham dois metros de altura)? O morador, extremamente assustado,acabou permitindo que Fidel e os seguranças passassem, e só depois de algum tempo, conseguiu entender o que estava ocorrendo.

As homenagens a Niemeyer pelos seus 100 anos aconteceram em vários países. No Brasil, a edição de cadernos especiais, produção de documentários, lançamento de livros, inúmeras homenagens, ressaltaram a genialidade de um dos maiores arquitetos que a humanidade produziu. A Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB), no seu congresso de fundação, aprovou, por unanimidade, uma moção, que traduz toda a admiração, que os sindicalistas classistas têm, por Niemeyer.

Temos muitos motivos para homenagear Niemeyer, a começar pela fantástica obra que produziu e continua produzindo. Ressalta-se que, no dia 26 de dezembro-um dia depois do Natal- ele foi ao escritório, para receber o presente de Fidel, mas também, para continuar trabalhando, na produção de projetos que está desenvolvendo, atualmente. Nós também o homenageamos em função da pessoa que é, solidária, comunicativa, compreensiva, acessível.

Mas, há algo em Niemeyer que, no meu entendimento, vai além, que é o fato de chegar aos 100 anos de idade, com os mesmos ideais, com os mesmos valores humanos que norteiam a sua vida, com a visão estratégica de que é necessário lutarmos para superar o capitalismo e alcançar o socialismo.

Ele desmente, na prática,o mito de que a luta pelo socialismo é coisa só da juventude e não de idosos.Estes se adaptariam ao sistema porquê são mais amadurecidos e conhecedores da realidade. O mito tem sido desmentido por homens e mulheres comunistas, tais como João Amazonas, Elza Monerat, Oscar Niemeyer e tantos outros, que oferecem a sua vida pela libertação da humanidade.
 
* Augusto César Petta é diretor do Sindicato dos Professores de Campinas e do Centro de Estudos Sindicais e foi Coordenador Geral da CONTEE.

Fonte: Vermelho
Publicado em 21/01/2008