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A autoridade do professor
Por Eliana Tayano e Antonio de Freitas da Corte*
Como legitimar a autoridade do professor em sala de aula? A questão é o ponto de partida para uma reflexão sobre a relação entre professor e aluno e como esta se constitui numa relação em que o professor é reconhecido como referência não só para a busca do conhecimento, mas também para a seleção de condutas social e moral.
Numa perspectiva psicológica, o professor pressupõe que determinados parâmetros morais, como reciprocidade, cooperação, solidariedade e respeito, sejam responsabilidade da família e, portanto, as queixas de que os alunos são agressivos, apáticos e sem limites tornam-se obstáculos para uma ação pedagógica eficaz. Esse pressuposto inviabiliza o estabelecimento de vínculos de confiança e impede que os objetivos da aprendizagem sejam compartilhados pelo professor e pelo aluno. Nesse cenário, o professor não é uma autoridade e controla, muitas vezes, o grupo por meio de estratégias autoritárias, pautadas em sanções arbitrárias.
Em outra perspectiva de análise, a relação entre professor e aluno se constitui numa relação de autoridade quando o professor garante um ambiente de aprendizagem cujos princípios são o conhecimento e a construção de uma auto-imagem positiva do aluno diante do saber escolar. Esses princípios se concretizam por meio de ações pedagógicas que possibilitem ao aluno encontrar sentido naquilo que está sendo ensinado e num ambiente que considera a importância das regras sociais, a flexibilidade de pensamento, o convívio com a diversidade e a tolerância.
O professor não só desenvolve estruturas de pensamento, mas também amplia a possibilidade de o aluno olhar o mundo sob a óptica da transformação e entender as relações que o homem estabelece em seu meio social e cultural. Nesse contexto, ele se constitui como autoridade quando organiza um espaço de aprendizagem em que há lugar para a indagação, para a curiosidade, para o debate em torno de idéias e hipóteses, para o respeito ao conhecimento construído pelo aluno nas suas vivências sociais e escolares, enfim, um ambiente em que o conhecimento não é inacessível e é reconhecido como fundamental no acesso a bens culturais e materiais produzidos pela sociedade.
O interesse do aluno vem à tona quando ele percebe que o professor tem competência, conhece com profundidade aquilo que ensina, mas, acima de tudo, é alguém que traz para a sala de aula uma inquietação com o não-saber, demonstrando um profundo interesse pela aprendizagem de seus alunos.
Um novo contrato pedagógico se estabelece: trata-se de um contrato em que professor e aluno assumem um compromisso cujo alicerce é a relação com o conhecimento e os comportamentos e atitudes favoráveis à realização dessa meta. Nesse contexto, o professor é reconhecido como autoridade e não há espaço para a indisciplina.
*Vice-diretora do Ensino Fundamental I e* Vice-diretor do Ensino Fundamental II da Escola Móbile
Fonte: O Estado de São Paulo
Publicado em 22/01/2008 |
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