O professor e o seu valor social
Por Claudio Jorge*
No último dia 5 foi comemorado o Dia Mundial do Professor criado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação a Ciência e a Cultura) para lembrar a importância desse profissional.
O tema das comemorações deste ano é “A Reconstrução Começa pelos Professores”. A intenção é destacar o papel crucial que os educadores desempenham em áreas que estão em situação de emergência, em momentos pós conflitos e de crise social, econômica ou humanitária.
A mesma UNESCO prevê a necessidade de aproximadamente 2 milhões de professores até 2015, visando a universalização da educação básica.
Quero expressar neste dia 15 de Outubro de 2010 a minha satisfação, como professor, pelo reconhecimento internacional da nossa importância para sociedade.
Ao mesmo tempo que expresso minha satisfação, olho para a realidade dos professores no Brasil e destaco dois pontos:
1º. Valorização profissional não acompanha a importância do docente para a educação e para a sociedade. Os salários pagos aos professores estão entre os de menor valor, inferiores às remunerações de outros profissionais também essenciais para a sociedade. As diferenças salariais ainda se apresentam de maneira expressiva. Aprovado em 2008, o Piso Salarial Nacional para professores da rede pública, é hoje de R$ 1.024,00 por 40 horas semanais, mesmo assim, alguns estados se recusam a pagar, com isso temos professores ganhando menos que este valor. A realidade na escola privada não é diferente, existindo os salários dignos até remunerações inferiores a R$ 20,00 por hora-aula para professores pós-graduados.
2º. O déficit de professores em nosso País é alarmante, a tal ponto que estudantes de Licenciaturas cursando o primeiro ano de faculdade, concorrem a vagas de professores nas escolas públicas e privadas no País, no nosso Estado e aqui, em nosso Município.
Este nosso dia 15 de outubro é especial, acontece em meio a um processo eleitoral, e ao contrário do que muitos pensam e querem, não somos neutros e pela amostra que aqui foi dada, não devemos ser. Temos a obrigação de exercer nossa cidadania, como exemplos, devemos debater e defender idéias do presente e preparar o futuro deste país. País este que tanto mudou nos últimos anos, em termos econômicos e sociais, também pela inserção mundial e pelas transformações da educação superior, com a criação de universidades federais, escolas técnicas e fundamentalmente a busca por uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens. E qualidade de ensino depende, sem dúvida, das condições de trabalho e da qualidade de vida do professor. Nosso voto poderá contribuir para o alcance de nosso projeto educacional e pela valorização dos profissionais da educação!
*Cláudio Jorge é presidente do Sinpro Campinas, professor da PUC-Campinas e do Anglo/COC e secretário-geral da Federação dos Professores do Estado de São Paulo