08 de março: parabéns!


Por Conceição Fornasari*

A expressão “Parabéns” no dia 08 de março reverte-se de inúmeros significados- a comemoração do aniversário das queridas  Roselene,  Graciete,  Cida,  Zoreli , e de tantas outras; bem como da homenagem às grandes lutadoras em defesa dos direitos das mulheres sempre recordadas no dia internacional:  Claras, Alexandra,  Emma, Simones, Maria Quitéria,  Anita Garibaldi,  Berta Lutz, Adnair,Pagu, e tantas outras.Afinal a origem da data se pauta pela luta de mulheres contra a exploração do capital e por melhores condições de trabalho e de vida para homens, mulheres e crianças.

Especialmente em 2011, nos 101 anos do primeiro 08 de março e o do mandato inicial da primeira mulher presidenta do país, de duas vices na Câmara Federal e no Senado e de 09 ministras de Estado, o empoderamento político das mulheres ainda é tímido. Nos sindicatos há categorias com a maioria feminina que não tem nenhuma nas direções; a representação masculina apresenta-se em maior quer nos sindicatos de base, como nas centrais sindicais. As chefes nas empresas não chegam a 10%

Os desafios em busca da equidade de gênero ainda continuam atuais, uma vez que  as distinções econômicas e sociais continuam indeléveis e as bandeiras de luta devem seguir se pautando na ampliação da participação feminina no poder; no combate a pobreza, a falta de oportunidades, a violência, a impunidade e a discriminação.

A pobreza  tem quase um sinônimo- a mulher e seus filhos, pois que é neles que recai a vulnerabilidade social, o desemprego, bem como a dificuldade de acesso aos meios adequados de uma vida digna.

A diferenciação no mundo do trabalho permanece quando as mulheres recebem menos que os homens- quase 30%-apesar de totalizar mais de 50% da PEA, consistem a maioria em contratos precários de trabalho e nas ocupações informais, quase 80% nos serviços domésticos enquanto que 40% na indústria.

Estes números são paradoxais, pois na educação a presença feminina cresceu ao atingir 60% das que concluem o ensino superior e como professoras neste nível de ensino chegam a 50%, a 71% no ensino médio e a 85% no fundamental (Mec e Dieese).

Este quadro na educação poderá significar a formação de uma nova consciência social com valores de progresso e de igualdade de gênero o que ainda não assistimos, não obstante já  contar com  importantes avanços.

A violência doméstica continua uma chaga social ao atingir mulheres e meninas de todas as classes sociais, jamais um problema do casal “ no recôndito” do lar. Recente pesquisa da fundação Perseu Abramo  comprova dados atemorizantes de uma realidade inadimissível-  a cada dois minutos ocorre uma agressão violenta contra a mulher no Brasil , mais de 3000 mulheres apanham por dia! Outros levantamentos apontam que 10 mulheres são assassinadas por homens que “um dia lhes teve amor”!

A Lei Maria da Penha, de 2006, criou mecanismos para coibir a violência contra a mulher ao impor aos agressores a prisão em flagrante ou o decreto da prisão preventiva, representa um avanço que não podem retroceder.

A rudeza masculina, o machismo, a aparente naturalidade das desigualdades sociais e de gênero, os crimes vergonhosos contra as mulheres não podem se perpetuar.

O novo governo que ainda é  tempo de disputa de rumos para as políticas públicas, tem ir muito além da preocupação com o crescimento do PIB, com a estabilidade financeira e sim com a esperança de um porvir para as mulheres e  meninas do Brasil, com políticas efetivas nesta direção. Políticas que garantam a saúde da mulher e das crianças, a educação pública de qualidade, creches, áreas de lazer e atividades culturais,  universalização do saneamento básico, segurança, enfim a garantia de uma vida feliz.

Muito deve ainda ser dito, pesquisado e transformado na direção de um mundo sem exploração e desigualdade, mas hoje devemos parabenizar às mulheres de todos os tempos que ninam os bebês, trabalham, estudam e lutam, para tornar o mundo humano!

* Professora e diretora do Sinpro Campinas e da Fepesp