CONATEE Extraordinário: crescimento econômico em pauta

O debate sobre conjuntura nacional realizado durante o Congresso Extraordinário da CONTEE, no dia 30 de agosto de 2008, contou com a rica exposição de Ricardo Luiz Chagas Amorim, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Em sua exposição, Ricardo fez um retrato do processo de industrialização do Brasil, apresentando dados sobre o PIB per capta da população brasileira, destacando que historicamente o índice de distribuição econômica nas regiões Norte e Nordeste do Brasil nunca foi significativo. Lembrando ainda que a má distribuição de renda é um fenômeno típico dos países latino-americanos, não restrito ao Brasil, portanto.



Tratou do histórico das políticas econômicas implementadas no Brasil a partir do processo de redemocratização do País. De forma muito didática e extremamente esclarecedora, Ricardo descortinou os processos de aprofundamento da exclusão social, fundamentada no favorecimento econômico à especulação financeira dos mais ricos em detrimento da população mais pobre do Brasil.

Os dados sobre a concentração de renda entre as famílias mais ricas do Brasil impressionaram a todos. Especialmente por quase não apresentar modificações ao longo da história, tendo em vista que, no século XVIII, 68,7% da riqueza do País estava concentrada entre os 10% mais ricos. E no fim do século XX a riqueza acumulada entre os 10% mais ricos aumentou para 75%. O economista falou ainda sobre o processo de achatamento da classe média brasileira, que sofreu com o rebaixamento salarial e o avanço dos processos de terceirização – conseqüências dos períodos alta do desemprego.



Ao finalizar sua apresentação, Ricardo afirmou que entre as transformações necessárias para reversão deste cenário de má distribuição de renda, a fim de melhorar os indicadores sociais, além do crescimento econômico – já em curso hoje – é preciso investimento público nas cadeias produtivas, distribuição secundária de renda – via escolas e hospitais, por exemplo – e planejamento de longo prazo para as políticas no Brasil. “Assim será possível reconstruir e fortalecer o Estado brasileiro”, concluiu.

Daniele Moraes, de São Paulo
Fotos Maurício Morais
Publicado em 01/09/2008