ENADE sozinho não basta

O Ministério da Educação realiza a 4ª edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), com a inscrição de 262 mil estudantes universitários de todo o País, no dia 11 de novembro.

Preocupada com a questão, a Coordenadora Geral da CONTEE, Madalena Guasco Peixoto, em reunião da CONAES (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior), realizada em 23 de outubro, em Brasília/DF, ressaltou a indignação da CONTEE e demais entidades ligadas à Educação com a demora do Ministério da Educação em colocar em prática todas as etapas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES).

Segundo Madalena, é preciso iniciar com urgência os processos de avaliação institucional previstos no SINAES. Ela lembrou ainda que, até o momento, foram realizados apenas o Exame Nacional de Avaliação de Desempenho de Estudantes, o incentivo à formação das Comissões Próprias de Avaliação  (CPAs)eas avaliações de curso que, apesar de usarem os instrumentos do Sistema, têm sido motivadas apenas para o credenciamento e reconhecimento do cursos.

“O ciclo completo do SINAES ainda não foi aplicado e, por isso, a CONAES tomou a deliberação de, primeiro, dar conhecimento à sociedade de tudo o que já foi feito no campo da avaliação e, segundo, estabelecer o compromisso de que o processo de avaliação institucional será aberto e terminado no ano de 2008”, informou Madalena.

Insatisfeitas com a demora na aplicação dos demais instrumentos do SINAES, as lideranças do movimento estudantil, entretanto, convocaram boicote ao ENADE. Segundo a UNE o apoio da entidade sempre esteve condicionado à garantia de que o Exame não teria peso elevado na composição final da avaliação.

Repúdio
Em reportagem publicada do jornal Folha de São Paulo (09/11), a Faculdade Paulista de Serviço Social de São Paulo e a de São Caetano do Sul, que recebeu nota 2 no Enade, está oferecendo um prêmio de R$ 300 a R$ 600 aos alunos que participarem do Enade, desde que as instituições obtenham uma boa nota no exame.
Esse tipo de oferta já acontecia na época do antigo exame, chamado Provão, amplamente criticado pelos movimentos ligados à Educação. Entretanto, segundo o MEC, essa é primeira vez que uma instituição divulga a oferta publicamente.
Em depoimento à reportagem, estudantes e educadores repudiam a iniciativa. Leia aqui a reportagem completa. Para Mario Sergio Cortella, da PUC-SP, a iniciativa chega a “macular a ética. É a monetarização do Enade”.

A CONTEE também repudia a conduta e acredita que esse tipo de comportamento e distorção do papel da avaliação é sintoma dos riscos da não aplicação completa dos mecanismos de avaliação. Além de simbolizar o tipo de procedimento e conduta ética que parece orientar muitas instituições privadas de ensino superior no Brasil.

Da redação
Publicado 09/11/2007