Diretoria Plena da CONTEE debate o cenário político nacional e internacional
Nesta sexta-feira, 03/12, a diretoria plena da Contee reunida em São Paulo discutiu o cenário político nacional e internacional, fez um breve balanço das principais ações desenvolvidas pela entidade no ano de 2010 e iniciou a discussão do planejamento de 2011 que foi concluído no sábado.
A coordenadora geral da entidade, Madalena Guasco, fez uma intervenção inicial avaliando o processo eleitoral que culminou com a eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher presidente do Brasil e o cenário internacional de instabilidade e crise econômica internacional que vai marcar o início de seu governo.
“Fomos vitoriosos no embate eleitoral e na disputa que se deu entre dois projetos e nós sabemos o quanto seria prejudicial para o Brasil se o projeto representado pelo Serra fosse vitorioso. Contudo, achávamos que ganharíamos no primeiro turno e o fato de a eleição ter ido para o 2º turno nos traz ensinamentos”, disse Madalena ao se referir a pauta política conservadora e moralista imposta pela oposição e por grande parte da mídia hegemônica, um dos fatores determinantes para levar a disputa para o 2º turno. “Desde a década de 80 as forças conservadoras não estavam tão unidas em torno de uma pauta política e isso pode trazer consequências para a luta de classes no Brasil”, alertou.
A coordenadora geral da Contee registrou, também, que além da ofensiva conservadora e da ação da oposição, Dilma Rousseff enfrentará no início de seu governo uma conjuntura internacional é desfavorável. “Tem gente que acha que a crise já passou porque no Brasil estamos tendo crescimento. Mas a crise continua muito grave. A crise do capitalismo traz ônus ao trabalho, ao trabalhador e aos direitos sociais. Está se cobrando um preço muito caro da sociedade para superar essa crise, para que o capital possa se recuperar”.
Ela abordou que um dos elementos utilizados pelos países em crise, em particular pelos Estados Unidos, é a guerra cambial, “que traz problemas graves para o Brasil e para os países emergentes, o que vai exigir do governo Dilma uma posição firme de como enfrentar esse cenário, já que essa guerra pode trazer uma pauta política conservadora e desfavorável ao aprofundamento de um projeto nacional de desenvolvimento.
Nesse sentido, referiu-se a sinalização negativa que representou as posições defendidas pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao Jornal Nacional. Ele disse que o governo vai ampliar as metas de superávit, reduzir o custeio, frear a valorização do salário mínimo e o aumento do funcionalismo público. “Essas são sinalizações ruins da equipe econômica para o movimento social que aposta num projeto de desenvolvimento social. O Brasil tem condições de dar um aumento de 580 reais para o salário mínimo. E o movimento social tem que lutar para isso”, afirmou.
O papel dos movimentos sociais vai ganhar ainda mais relevância no próximo período. “Os conservadores, ao levarem a eleição para o segundo turno, se fortaleceram e vão fazer uma oposição unificada contra o governo Dilma. E, é preciso estarmos atentos ao fato de que a aliança ampla que elegeu a presidente não tem um núcleo de esquerda definido e nem um projeto muito claro, apesar dos compromissos com o projeto de desenvolvimento iniciado por Lula. Por isso, com uma oposição unificada, o papel dos movimentos sociais será fundamental para fazer a pressão e garantir que o projeto de desenvolvimento seja implementado pelo governo. Temos um quadro indefinido, mas temos muito otimismo. Dilma é uma pessoa comprometida com as pautas dos movimentos sociais, é uma mulher decidida e competente.
O movimento social apostou neste governo e vamos atuar para garantir que o projeto de desenvolvimento seja implementado.
No debate realizado, muitos diretores reforçaram o papel exercido pelos meios de comunicação, na tentativa de impor uma pauta conservadora e impulsionar a candidatura de Serra. Daí a importância de se intensificar a luta pela democratização dos meios de comunicação.
Foi lembrado, também, o papel que cumpriu a candidatura de Marina Silva pelo PV, que canalizou parte dos votos que a campanha reacionária retirou da candidatura de Dilma.
Outro tema que apareceu foi a dificuldade da categoria dos profissionais de educação em eleger representantes para as Casas Legislativas, o que vai exigir da Contee e dos sindicatos maior atenção no trabalho com o parlamento.
Renata Mielli, de São Paulo