16º Congresso da FSM: um começo extraordinário
Por Edson de Paula*
Iniciou hoje, dia 06 de abril, em Atenas – Grécia, o 16º Congresso da FSM. Desde a chegada na histórica cidade pode-se observar nos postes cartazes alusivos ao Congresso. A organização do evento envolveu dezenas de profissionais e voluntários e já mostrou enorme competência.
O Faliro Pavilion, um enorme Centro de Convenções com capacidade para 3800 pessoas, estava totalmente lotado para a abertura dos trabalhos. Com a participação de cerca de 800 sindicalistas representantes de trabalhadores de 105 países, de cinco Continentes, iniciou-se o evento ao som de música tradicional grega. Chamou atenção a ativa atuação de uma animadíssima juventude que lotava as arquibancadas.

A programação da cerimônia inaugural contou com um Vídeo sobre a história da FSM, de 1945 a 2010. Essa viva história mostrou a importância que teve a FSM na luta dos povos por uma sociedade livre e justa e, em especial, na resistência e combate contra a exploração do capital sobre o trabalho. Houve a apresentação das inúmeras delegações e em seguida a eleição da presidência do Congresso.
Discursaram representantes da Índia, Colômbia, África do Sul, Chipre, Grécia e o Presidente da FSM. A tônica foi a construção da unidade para a luta classista. “O nosso poder é a luta com orientação de classe” resumiu um dos oradores.
Discursando, o Primeiro vice-presidente do Parlamento Grego, acentuou a gravidade da crise e a necessidade de se resolver o problema do desemprego que atinge milhões de pessoas. Já o representante executivo da Região Autônoma de Athima, que prestigiou o evento, disse que “com a profunda crise o bem estar do planeta está em risco”.
Esteve presente também o Presidente da Câmara de Atenas, que pontuou: “O mundo mudou muito depois do último Congresso da FSM, em 2005. Alguns dizem que crise é momento de oportunidade, eu digo que é momento de desafio. E só com muita luta e solidariedade sairemos vitoriosos dessa crise”. Outro que fez uso da palavra foi o Presidente da Câmara de Pireo: “Esquecemos como resistir e como lutar. O consumismo fez do dinheiro um grande Deus. E hoje percebemos o erro disso. Temos que redescobrir a solidariedade e a democracia participativa”.
Raúl Castro, presidente de Cuba, enviou mensagem de saudações aos participantes do XVI Congresso: “Consideramos que as ações futuras derivadas desta cidade possam contribuir a reforçar a luta pela justiça social e a paz. Seus debates têm um alto valor nas circunstâncias atuais e dado o histórico protagonismo que os caracterizou como frente revolucionária dos povos”.

Encerrando as intervenções falou o Secretário Geral da FSM. Declarou que a participação nesse Congresso superou todas as expectativas. Denunciou os governantes e poderosos que jogam todo o peso da crise sobre os trabalhadores que resistem e organizam movimentos e greves. “A FSM não esteve e nem está de braços cruzados. Dirigiu lutas e não aceita que os trabalhadores paguem pela crise. O caminho da classe trabalhadora é sem submissão ao capital explorador”, disse o secretário. O quadro geral coloca uma questão para respondermos: Que tipo de movimento sindical a classe trabalhadora precisa hoje? Um sindicalismo conciliador e que apoia o imperialismo ou o que procura unir os trabalhadores contra a exploração e luta pela libertação dos povos? Um sindicalismo que apoia guerra de conquistas, que corrompe e é corrompido ou um sindicalismo que luta contra o império, defende a paz, a democracia e a justiça social? A resposta nossa é “continuamos a luta de classes contra o imperialismo e o capital”.
Encerrando o dia houve apresentação de canções de diversos continentes.
O segundo dia de Congresso será dedicado aos debates e elaboração de propostas para a defesa do sindicalismo classista, a denúncia das políticas neoliberais, a defesa do direito ao trabalho e de melhores condições de vida aos trabalhadores.
* Edson de Paula é presidente FITEE e Coordenador Regional Centro-Oeste da CONTEE (de Atenas/Grécia - Repórter por um dia).