IV Marcha da Classe Trabalhadora reuniu 30 mil em Brasília

Nem o tempo nublado, nem a chuva atrapalharam o vigor e a disposição dos 30 mil trabalhadores que participavam da IV Marcha da Classe Trabalhadora, realizada nesta terça-feira, 5 de dezembro, em Brasília/DF. Trabalhadores e trabalhadores de várias regiões do País, representando diversos ramos e categorias chegaram à capital federal em caravanas, ainda pela madrugada.

Durante a concentração, iniciada às 7h no estacionamento do estádio Mané Garrincha, bandeiras começavam a tremular enquanto balões gigantes surgiam no cenário.

A caminhada rumo à Esplanada dos Ministérios começou por volta das 10h. Ao som do samba enredo 2008 da GERS Unidos de Vila Isabel (RJ), cujo tema é Trabalhadores do Brasil, militantes da CUT, Força Sindical, Nova Central Sindical dos Trabalhadores, Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, União Geral dos Trabalhadores e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil entoavam palavras de ordem, levantando cartazes e faixas com as reivindicações do conjunto dos trabalhadores.



Diversos diretores da CONTEE participaram da atividade, entre eles a Secretária Geral, Cristina de Castro, o Coordenador da Regional Norte, José Carlos Arêas (foto), e o Secretário de Assuntos Jurídicos, Edson de Paula.

O ato político em frente ao Congresso Nacional teve início por volta das 13h com uma espécie de “quebra de protocolo” por parte do presidente da Câmara dos deputados, Arlindo Chinaglia, que subiu no caminhão de som para receber a pauta de reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras. “Eu como presidente da Câmara me comprometo a colocar em rediscussão a questão da redução da jornada de trabalho, para que o Congresso, apesar das diferenças existentes atue para garantir avanços trabalhistas”, disse Chinaglia.

Artur Henrique, presidente da CUT Nacional, reiterou a importância da Marcha para a geração de Mais e Melhores Empregos, um dos eixos da manifestação deste ano. “As novas formas de produção e as novas tecnologias têm permitido ganhos imensos de produtividade às empresas de uns dez anos para cá. Esses ganhos poderiam ser compartilhados com os trabalhadores e trabalhadores. Além disso, a ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT são formas de reestruturar o mercado e as relações de trabalho”.

Também no palanque, o senador Paulo Paim reafirmou seu “compromisso com a luta permanente pelo aumento do salário mínimo, pela redução da jornada de trabalho e pelo fim do famigerado fator previdenciário”.

Entre outros, manifestaram seu apoio à luta das centrais os deputados federais Vicentinho (PT-SP), Paulo Pereira da Silva (presidente da Força Sindical e do PDT-SP), Barbosa Neto (PDT-PR), Tarcísio Zimerman (PT-RS), Roberto Santiago (PV-SP), Cláudio Magrão (PPS-SP), Gonzaga Patriota (PSB-PE) e Daniel Almeida (PCdoB-BA).

A manifestação ocorreu de forma pacífica. O secretário geral da CUT Nacional, Quintino Severo, comandou o ato político até o final por volta das 14h30.



Elemento de partilha
Segundo o documento encaminhado aos poderes legislativos e executivo, ''a redução constitucional da jornada de trabalho é um elemento de partilha dos ganhos do crescimento econômico que levam ao desenvolvimento, por meio da geração de emprego e melhora na renda e na qualidade de vida''.

As sugestões feitas no documento inclui jornada semanal inferior à estabelecida em lei para os jovens trabalhadores estudantes como garantia da formação educacional integral; definição, na legislação, de jornada máxima anual, respeitando os limites legais das jornadas diária e semanal e jornadas especiais para os turnos de revezamento.

O documento também faz proposta de limitação da hora extra, com mudança do artigo 59 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), coibindo o uso da jornada extraordinária e aumentando a sua remuneração sobre o valor da hora normal e a eliminação do banco de horas com a revogação do o artigo 6º da Lei 9.601, de janeiro de 1998, que trata do assunto.

As Centrais Sindicais propõem ainda combater a precarização do trabalho, proibindo a terceirização na atividade-fim e garantindo aos terceirizados os benefícios sociais, trabalhistas e previdenciárias dos demais trabalhadores. Para isso, eles querem uma legislação que regule a terceirização e mecanismos de penalização, em caso de descumprimento da lei.

Para o Executivo, as propostas das Centrais Sindicais é de instituir nos programas e financiamentos públicos exigências de contrapartidas sócio-trabalhistas, implementar políticas específicas para as micro e pequenas empresas que gerem emprego formal; eliminar o trabalho escravo e erradicar o trabalho infantil com ampliação da fiscalização do trabalho, e promover políticas públicas que impeçam a interrupção dos estudos de milhões de jovens, evitando a entrada precoce deles no mercado de trabalho.

Audiência com o Presidente
No início da noite, cerca de 200 dirigentes sindicais foram recebidos pelo presidente Lula no Palácio do Planalto. Na oportunidade, Lula anunciou que está enviando ao Congresso Nacional a regulamentação das Convenções 151 e 158.

Com informações CUT e Vermelho
Publicado em 05/12/2007