Atividade na África do Sul debate educação superior
Entre as atividades de antecedem o 6º Congresso Mundial da Internacional da Educação – que acontece na Cidade do Cabo, na África do Sul, nos dias 22 a 26 de julho – aconteceu uma reunião sobre a educação superior. O objetivo da atividade foi revisar as ações da IE no setor, desde seu último Congresso, realizado em Berlim, em 2007. A Secretária Geral da CONTEE, Cristina Castro, representou na entidade na reunião e falou sobre as lutas da Confederação em defesa da educação pública e contra a mercantilização do ensino.
Os participantes analisaram as recentes tendências sobre o financiamento da educação superior, salários e benefícios e as reformas em curso e seus reflexos no setor.

O Secretário Geral do Sindicato Terciário de Docentes de Austrália, Grahame McCulloch, abriu a reunião dizendo: ““Em muitos sentidos, a crise econômica proporcionou aos governos uma desculpa muito convincente para a chamada “reformas” na educação superior. Temos sido testemunhas das tentativas de minar os modelos de gestão tradicional das instituições da educação superior mediante à debilitação das vozes dos professores e pesquisadores. Isto é inaceitável!”.
Em sua intervenção, Penni Stewart, Presidenta da Associação Canadense de Docentes Universitários, mostrou preocupação em relação à constante invasão dos mercados de educação, que desafia diretamente a liberdade acadêmica. “Temos que expressar porque a educação superior é um importante serviço público. O caminho a seguir consiste em reafirmar o papel dos profissionais da educação superior como atores da sociedade, que trabalham na linha de frente, no dia a dia, abordando os desafios da atualidade”.
Em seguida, representantes de entidades e organizações de educação de diversas partes do mundo deram informes sobre a situação da educação superior na atualidade, destacado os desafios a serem superados.
CONTEE expõe a realidade da educação superior no Brasil
A apresentação feita pela Secretária Geral da CONTEE destacou o fato realidade da educação superior brasileira ter características distintas que para serem compreendidas é preciso fazer um resgate histórico sobre o setor. Como a formação superior voltada para as elites e com pouca democracia e participação popular, passando pelo processo de expansão descontrolada nos anos 90.
“Apenas 13,6% dos jovens de 18 a 24 anos estão na universidade, e 89% deles estão em instituições privadas”, informou Castro.
“Há um novo modelo de privatização com acelerado processo de desnacionalização, onde as grandes corporações educacionais atuam no mercado financeira, na Bolsa de Valores”.

Cristina Castro, Secretária Geral da CONTEE; Yamile Socolovsky, Coordinadora del IEC (Instituto de Estudios y Capacitación) da Federação Nacional dos Docentes Universitários – Conadu da Argentina; e Carlos De Feo, Secretário Geral da CONADU.
A dirigente também destacou que o governo brasileiro tem buscado regular o setor privado de ensino superior por meio das avaliações periódicas das instituições, porém ainda muito aquém das necessidades.
Cristina encerrou afirmando que a CONTEE luta para garantir que educação não seja tratada como mercadoria e sim como um direito, um dever do Estado, devendo ser pública, gratuita e com qualidade socialmente referenciada.
Da redação, com informações da IE.
Fotos: IE e CONTEE