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CONTEE realizará o 2º Encontro do Movimento Negro e Educação
Nos dias 9 e 10 de novembro de 2007, a CONTEE realizará o seu 2º Encontro do Movimento Negro e Educação, em Salvador – Bahia, sob o tema “Sociedade e Diversidade: Reparando a Educação: Lei 10.639/03”. Entre as principais discussões questões sobre: “Por que diversidade num País tão diverso é tão complexo?” e “Diversidade: Educar para valer!”.
A atividade contará ainda com mesas de debate, com temas como: “MEC e as Políticas Afirmativas”, para a qual foi convidado o Ministro da Educação, Fernando Haddad. Haverá também a mesa sobre “Educação, Diversidade: Avanços e dificuldades encontradas pela SECAD - Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade” e “Lei 10.639 –Transgressões à Lei: até onde vai a autonomia da escola”. Além de companheiros do movimento negro que apresentarão de suas lutas.
Segundo a professora Rita Fraga, Secretária de Questões de Gênero e Etnia da entidade e responsável pela organização do 2º Encontro do Movimento Negro e Educação, a questão étnica na educação é importante, pois “a ideologia dominante é repassada pela escola quando se acomoda, quando instala uma rotina que estimula e reproduz essas desigualdades. A CONTEE está na luta para se opor a uma escola excludente. Temos que exigir que as escolas particulares cumpram a lei 10639/03 e mostrar a elas que a autonomia que têm não permite a transgressão da Legislação Nacional da Educação”.
Veja aqui a programação completa da atividade.
Leia a seguir a entrevista completa com a diretora da CONTEE, Rita Fraga, sobre a importância do evento, seus principais destaques e os desafios da questão da diversidade na Educação. |
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.Qual a importância da realização do 2º Encontro do Movimento Negro e Educação, organizado pela CONTEE?
Rita Fraga – O Brasil é um país com uma imensa diversidade cultural e étnica, visível em todos os seus cantos. Entretanto, não estamos conseguindo lidar com essa temática da intolerância e da discriminação.
Enfrentamos em nosso dia-a-dia o preconceito de todos os tipos e níveis, mas que, por vezes, é negado ou levado à sombra, traduzindo-se em uma grande a ambigüidade. Afinal,
reconhecemos que ele existe, |
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Rita Fraga, Secretária de Questões de Gênero e Etnia da CONTEE
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mas de forma distante, não como algo próximo de nós e, sim, como uma realidade que convivemos. Porém, se calarmos, estaremos alimentando isso.
Através de sua Secretaria de Gênero e Etnia, a CONTEE pretende, no 2º Encontro do Movimento Negro e Educação, abraçar a luta anti-racista e buscar soluções na Educação para uma prática docente voltada para a diversidade étnica e cultural da nossa população, principalmente dessa população que, ao longo da história do Brasil, vem sendo alijada dos direitos civis, sociais e humanos a que tem direito.
Quais serão os principais temas do evento?
Rita Fraga – O tema principal é: Sociedade e Diversidade: Reparando a Educação: Lei 10.639/03. Escolhemos enfocar a lei 10639/03 com subtemas - para o dia 9/11/2007: Por que diversidade num País tão diverso é tão complexo? Já E para o dia 10/11//2007, Lei 10639/03 - Diversidade: Educar para valer!
Qual o papel da Educação na questão da diversidade? Quais os principais desafios a serem vencidos?
Rita Fraga – O debate em torno das relações raciais tem levado algumas correntes de pensamento a divergir sobre a questão. Ora traz para o lado da relação de classe, tentando explicar a questão racial como mera manifestação da luta de classes, ora subordinando todas às relações sociais às relações de raça.
O racismo foi construído historicamente e não é mera manifestação pontual e pessoal, derivada de uma discriminação social. Embora esses elementos se façam presentes. Porém, devemos lembrar que a humanidade não conseguiu criar sistemas sociais em que as várias culturas convivam harmoniosamente. Em algum momento, a exclusão do outro sempre esteve presente.
Essa ideologia dominante é repassada pela escola quando se acomoda, quando instala uma rotina que estimula e reproduz essas desigualdades. Devemos ver o fascínio que existe na pluralidade de vidas, interesses e desejos presentes no interior da escola.
A Educação tem esse papel - lutar contra um cenário desolador, de sucateamento, de reprodução e manutenção das desigualdades sociais, culturais, raciais e de gênero. E há também pessoas querendo romper com esse quadro de exclusão e legitimação da exclusão no interior das escolas.
A CONTEE, enquanto entidade nacional de trabalhadores em Educação, está na luta para se opor a uma escola excludente. Temos uma Lei que é nosso instrumento de luta. Temos que exigir que as escolas particulares cumpram a lei 10639/03. Esse é nosso mote: “Educar para valer!” Tem que se fazer valer a Lei 10.639. Esse é um grande desafio, mostrar as Instituições de Ensino que a autonomia que elas têm não permite que transgridam a Legislação Nacional da Educação.
Inscrições para o 2º Encontro do Movimento Negro e Educação
Informações:
Telefones: (61) 3226 1278 (com Patrícia) ou (11) 5080 5988/ Ramal: 112 (com Mara - Secretaria de Questões de Gênero e Etnia).
Da Redação
Publicado em 24/10/2007 |
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