Haddad recebe carta de reivindicações dos estudantes do ProUni

Durante o 1º Encontro dos Estudantes do ProUni de São Paulo, realizado no dia 24/11, os bolsistas entregaram um documento ao ministro da Educação, Fernando Haddad, com nove reivindicações. A atividade foi realizada pela UNE, UEE-SP, CEMJ (Centro de Estudos e Memória da Juventude) e CONAP (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do ProUni), da qual a CONTEE é membro.

Apesar da seriedade do evento, o clima no auditório da Universidade Paulista (Unip) neste sábado (24/11) foi de confraternização e veio também carregado da certeza de missão cumprida. Resultado de dois meses de mobilizações e debates em universidades particulares da capital paulista, o 1º Encontro dos Estudantes do ProUni superou as melhores das expectativas e reuniu neste sábado (24) 500 pessoas, entre bolsistas do programa e autoridades políticas.

Por volta das 14h, pouco antes do início, o maracatu da Cia de Artes Baque Bolado foi um aperitivo bem recebido pelo público, que esperava ainda a presença do ministro da Educação Fernando Haddad e reservava energias para o animado show da cantora Fernanda Porto (com participação especial do senador Eduardo Suplicy!), encerrando a maratona de atividades.



A descontração era fruto das etapas preparatórias que criou este diálogo até então disperso entre os bolsistas do ProUni e traçou um panorama dos principais problemas enfrentados por eles. Tudo isso resultou em uma carta com nove pontos de reivindicações e sugestões de melhorias ao programa. Entre elas, os estudantes pedem mais clareza de critérios e informações sobre o programa, o incentivo de ingresso em cursos de pós-graduação e o fim da exigência de comprovação de renda anual.

Além do ministro, participaram do Encontro o senador Eduardo Suplicy; o deputado Federal, Aldo Rebelo; o Secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Juventude e ex-diretor da UNE, Danilo Moreira; a representante da CEMJ, Fabiana Costa; a diretora do Departamento de Políticas de Modernização do Ensino Superior do MEC, Iguatemi Lucena; a representante do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad; a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, o ex-presidente da entidade, Gustavo Petta e o presidente da UEE-SP, Augusto Chagas.

Elite e ProUni

"A elite dizia que o ProUni abaixaria o nível do ensino superior". Foi com esta frase que Petta abriu o encontro, já com o auditório completamente tomado pelos estudantes. Segundo ele, depois de quase quatro anos de programa o que se constata é o contrário. "O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) só confirmou o que todos nós prevíamos: as notas dos bolsistas são superiores as dos demais estudantes", enfatizou. Ele afirmou ainda que o ProUni possibilita, como medida emergencial, o sonho da graduação negado a grande maioria dos jovens brasileiros.

Para Fabiana, diretora da UNE na época de implementação do programa, a iniciativa foi o primeiro passo para que se construa um encontro nacional. "O ProUni é uma conquista, mas precisa ser ampliado. Vocês precisam ser ouvidos, porque vivem a realidade do programa e serão os responsáveis por sua aprimoração", destacou.
A dinâmica do encontro, elogiada pelo ministro, foi composta por intervenções dos convidados que eram intercaladas por falas de estudantes representantes das comissões de "prounistas", eleita em cada universidade que apresentaram cada um dos nove pontos enumerados na carta de reivindicações.

ProUni derrubou muros

Para Lúcia, "os estudantes do ProUni derrubaram os muros excludentes da universidade". Ela chama a atenção, no entanto, para a importância do programa ser ampliado e abranger também políticas de assistência estudantil. "Reconhecemos que é de suma importância a conquista da cadeira na universidade, mas não podemos fechar os olhos para o enorme contingente de estudantes que se vêem obrigados a abandonar a graduação por não poder arcar com os custos do transporte, material didático, alimentação e moradia. O próximo passo é pensar as políticas de permanência dos bolsistas do ProUni", convocou.

Lúcia afirmou que o movimento estudantil vai continuar lutando para garantir que o governo cumpra as reivindicações. "Vamos nos organizar dentro de cada universidade e fazer as mobilizações que forem necessárias para que elas sejam implementadas", disse ela, destacando que a UNE pretende lutar também para que "as bolsas do ProUni sejam oferecidas em instituições com qualidade referenciada e que respeitem o processo democrático".



Haddad: "Vocês são bolsistas por mérito conquistado"

Pouco antes de receber a carta de reivindicações dos estudantes, definindo-a como "o melhor documento sobre o programa que já recebeu desde que está a frente do MEC", Fernando Haddad afirmou que os "prounistas" elevaram a qualidade do ensino superior. "Não tenho dúvidas de que daqui a alguns anos, muitos de vocês estarão no Tribunal Federal ou a frente de um grande hospital sendo reconhecidos como cirurgiões de renome internacional", constatou, referindo-se a dedicação e empenho dos estudantes.

Sobre a carta de reivindicações, Haddad afirmou que maioria é muito procedente e que só poderiam ser apontadas com tanta lucidez e legitimidade por quem vive o programa no seu dia-a-dia. "A resposta para o documento será rápida e pode ocorrer até o final deste ano. Vamos processar pela nossa consultoria jurídica. Já há uma comissão instalada que vai se unir com mais periodicidade. O documento está muito bem formulado, sem dúvidas sobre o que eles estão reivindicando, de modo que a resposta é mais simples quando a demanda é mais objetiva", explicou.

De acordo com o ministro, um dos itens considerados mais polêmicos é o que diz respeito ao fim da comprovação de renda anual dos estudantes.
"Entendo que os casos apresentados são bastante tocantes porque muitas vezes alguém da família, ao longo de quatro ou cinco anos, arruma um emprego e o estudante se vê ameaçado com a perda de bolsa", afirmou. "No início do programa fomos muito rígidos com isso porque imaginamos que poderíamos perder o controle sobre quem seriam os bolsistas do programa. Hoje, é possível repensar essa rigidez, sobretudo, pelos exemplos que eles nos trazem e nos tocam", disse Haddad, acrescentando que, em caso de mudança, o governo não vai dar "abertura para que alguém possa se beneficiar indevidamente" do ProUni.

Os mitos do programa

O presidente da UEE-SP, Augusto Chagas, relatou que durante os encontros preparatórios foram detectadas muitas dúvidas, de acordo com ele, devido a falta de informações. "Os estudantes bolsistas têm um grande desconhecimento dos detalhes que tangem seus direitos e deveres no programa, em parte por desconhecer os detalhes da lei e das portarias, de outro pelos critérios diferenciados que cada instituição de ensino utiliza", disse. "A falta de informações cria verdadeiros mitos", concluiu.

Augusto disse ainda que a maioria das faculdades não adotam uma política de preparo dos funcionários, o que dificulta os estudantes o esclarecimento de dúvidas, e em alguns casos geram informações erradas. "Algumas instituições multi-campi chegam ao cúmulo de definir um campus específico para atendimento do estudante ProUni", relatou.

Suplicy, Racionais e Bob Dylan

Depois de saudar os presentes, ser muito aplaudido e se dizer feliz em testemunhar mais uma conquista da juventude brasileira, o senador Eduardo Suplicy foi instigado pelo ex-presidente da UNE, Gustavo Petta, a mostrar aos presentes a sua verve de cantor de rap, já revelada no Congresso Nacional e difundida pelo site de compartilhamento de vídeos Youtube.

Sem titubear, Suplicy pegou um exemplar do seu livro "Renda Mínina", que traz um trecho da musica "O homem na estrada", do grupo Racionais MC’s. Acompanhado por seu xará Eduardo, estudante bolsistas do ProUni e morador do Capão Redondo, bairro onde nasceu e cresceu Mano Brown, o senador destilou momentos de interpretações digna dos grandes teatros brasileiros, com gestos, sonoplastia e rimas.

Empolgada, a platéia aplaudiu o desempenho do parlamentar, que encerrou seu discurso afirmando que "essa primeira geração de bolsistas do ProUni certamente fará a diferença no futuro do país".
Mas, incansável, Suplicy ainda curtia em meio ao pessoal o show da cantora Fernando Porto, que encerou as atividades do dia, e não resistiu: subiu ao palco para mandar ver na musica de Bob Dylan "Blowin’ in the wind", um clássico que muitos cantaram na década de 70 contra a guerra do Vietnã.

Exército de heróis

Encerrando o encontro Haddad se referiu aos alunos presentes como "um exército de heróis". "Vocês são as pessoas que demonstraram na prática o sucesso do programa. No início éramos um exército de Brancaleone e hoje somos milhares construindo um novo cenário para o Brasil. A garantia da continuidade dessa política depende de vocês", convocou o ministro.

Durante o encontro, Haddad adiantou que a Caixa Econômica Federal vai abrir um programa para priorizar a contratação de estagiários do ProUni. Segundo ele, a proposta ainda não tem data para ser anunciada, mas deve ser levada depois para outras estatais.

Leia aqui a carta entregue ao Ministro da Educação.

Fonte: UNE
Publicado em 26/11/2007