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Pesquisa da Apeoesp: 75% das escolas
sem bibliotecas
Levantamento realizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), junto com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que só 15% das mais de 5 mil escolas estaduais têm bibliotecas. O estudo revelou também que cerca de 73% das escolas dispõe apenas de salas de leitura.
A Secretária de Estado de Educação confirma a situação, apenas 750 escolas têm bibliotecas, mas que toda a rede estadual teria salas de leituras. Porém, a reportagem do Jornal da Tarde apurou que na prática, as salas de leitura não ficam abertas em todos os períodos por falta de um responsável por tomar conta do espaço. Quando há um responsável pelo acervo, a função geralmente é assumida por algumas horas por um professor readaptado - que foi afastado das aulas por problema de saúde.
A EE Comendador Mário Reys, localizada na Parada 15 de Novembro, periferia da Zona Leste, é o caso mais crítico. Segundo a aluna Celeste da Costa Moraes ,17 anos, que cursa à noite o 3º ano do ensino médio, a sala de leitura da escola está fechada desde quando ela cursava a 6ª série. “Tenho de ir até a Biblioteca Municipal de Itaquera quando quero pegar livros”. Dois professores dessa escola e um outro aluno de ensino médio - que não quiseram se identificar - confirmam. “O problema é que todos os livros são tombados como patrimônio público e se alguma obra literária desaparecer a escola terá de prestar esclarecimentos. Por isso, o acesso dos alunos e dos professores à sala de leitura é dificultado”, afirma um professor da escola.
Segundo Sílvia Bertoncini, dirigente da Diretoria de Ensino Leste 1, o órgão vai se reunir com a direção da escola para pensar formas de tornar a sala de leitura um espaço de convivência. “A sala de leitura fica fechada, mas os alunos podem emprestar livros, é só solicitar a direção. E os professores também podem usar o espaço”, garante.
Para Maria Regina Maluf, professora e pesquisadora da pós-graduação em psicologia da educação da PUC, uma escola sem biblioteca aberta é inadmissível. “Para aprender a ler e a escrever, as crianças têm de ter o acesso ao livro facilitado. Há muitos alunos que não têm contato com o mundo letrado em casa, então a escola tem de possibilitar o acesso ao livro.”
Por meio de nota, a Secretaria do Estado da Educação diz que o objetivo das salas de leitura é proporcionar aos alunos um espaço de convivência, além de estimular a prática da leitura e da pesquisa; diferente do propósito das bibliotecas tradicionais, usadas só como ambiente de pesquisa e leitura. Acrescenta que orienta às escolas que esses espaços fiquem abertos nos três períodos de funcionamento.
Fonte: Jornal da Tarde
Publicado em 10/10/2007 |
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