Mundo pode não atingir meta de ensino básico para todos em 2015

Quase 1 bilhão de pessoas não receberão qualquer tipo de educação formal porque os governos do mundo todo estão deixando de cumprir a promessa de fornecer educação primária e gratuita a todos até 2015, afirmaram grupos de ajuda.

Em um encontro realizado na capital do Senegal, Dacar, em 2000, governos de 164 países acertaram várias metas, entre as quais a de fornecer cursos de boa qualidade do ensino básico para todo mundo e de aumentar em 50 por cento o número de adultos alfabetizados até a metade da próxima década.

Na metade do caminho antes do fim do prazo, os países mais ricos não estão cumprindo as promessas de ajudar os mais pobres. E as metas continuam a ser um alvo distante, segundo a Campanha Global para a Educação (GCE na sigla em inglês), que reúne milhares de sindicatos de professores e grupos da sociedade civil, entre os quais o Save the Children e a Oxfam.

'Se a performance atual for mantida, perto de 1 bilhão de pessoas não receberão educação formal durante sua vida, muito menos nos próximos sete anos', afirmou Nelida Cespedes, uma peruana que integra o quadro de diretores da GCE.

A educação primária universal até 2015 é uma das oito Metas de Desenvolvimento do Milênio acatadas por governos do mundo todo.
O grupo ativista disse em um relatório que 72 milhões de crianças continuavam sem frequentar o ensino básico e que 774 milhões de adultos --um de cada cinco-- continuam sendo analfabetos.
Apesar de muitas dessas pessoas morarem na África, o estudo afirmou que vários governos africanos haviam avançado nos esforços para melhorar o acesso à educação.

A publicação do documento aconteceu junto com a realização de um encontro, em Dacar, de ministros da Educação e especialistas do setor vindos do mundo todo. O evento é comandado pelo presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, e pelo diretor-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Koichiro Matsuura.

'Precisaremos de mais 18 milhões de novos professores até 2015. Desses, 4 milhões apenas na África subsaariana,' disse Matsuura durante o encontro, do qual participaram centenas de milhares de alunos de escola.

Países ricos em falta
Em um relatório divulgado no mês passado, a Unesco afirmou avanços estavam sendo realizados. Entre 1999 e 2005, o número de crianças matriculadas no ensino básico aumentou 36 por cento na África subsaariana e 22 por cento no sul e no oeste da Ásia.

Mas a entidade observou que a ajuda estrangeira para o setor educacional estava 'muito aquém dos 11 bilhões de dólares necessários anualmente' e não era dirigida em volume suficiente à África ou à educação básica.
'O maior culpado disso são os países do G8 (Grupo dos Oito). Apesar de suas várias promessas, somente um deles, a Grã-Bretanha, está chegando perto de honrar seus compromissos,' afirmou à Reuters, durante o encontro em Dacar, Lucia Fry, conselheira política da GCE.

Fonte: IG/ Educação

Publicado em 12/12/2007