Conselho Universitário da UFRJ discute ações afirmativas para o ingresso na instituição
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aprovou nesta quinta-feira, por apenas dois votos, o percentual de 20% de vagas para ações afirmativas. A medida já vale para o vestibular de 2011. A votação contempla a proposta da reitoria e rejeita a alternativa de estudantes e funcionários de destinar 35% das vagas para as cotas. Anualmente, a UFRJ oferece 8 mil vagas.
A UFRJ discute, também, se vai excluir das recém-criadas ações afirmativas para ingresso na instituição estudantes de colégios federais, universitários, militares e de aplicação, mantendo as cotas somente para alunos de escolas públicas estaduais.
Na reunião da semana passada, questões específicas, como o percentual de vagas para as cotas e as ações de assistência estudantil para permanência dos estudantes, não obtiveram consenso e voltam a ser discutidas.
Com essa medida, a reitoria põe fim à discussão das cotas sociais, que selecionariam estudantes com base na renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio. Na proposta original, 10% das vagas seriam distribuídos a candidatos oriundos de escolas públicas com esse perfil. O restante seria dividido entre candidatos aprovados pelo Sisu e pelo vestibular tradicional.
"Prevaleceu a ideia de que era mais importante demonstrar a necessidade de requalificação do ensino público na rede estadual ao mesmo tempo em que se atende, indiretamente, o estudante de baixa renda", explicou o representante da reitoria, Carlos Levi, sobre a nova proposta.
Mudanças ainda serão pequenas
Embora concorde com a exclusão dos colégios federais, universitários, militares e de aplicação das ações afirmativas, o professor Marcelo Paixão, integrante do Conselho Universitário, avalia que 20% de cotas não mudam o perfil da universidade. Atualmente, dos cerca de 40 mil alunos da UFRJ, 68% são provenientes da rede privada e 32% da rede pública.
"A proposta da reitoria traz um avanço para os cursos mais prestigiados, mas, mesmo nesses cursos, a diferença atual para o quadro que a reitoria propõe é muito baixo", disse Paixão.
Marcelo Paixão defende que a instituição destine 25% das vagas para o sistema de cotas raciais e 25% para estudantes com renda familiar per capita inferior a um salário mínimo. A ideia tem apoio de parte da comunidade acadêmica.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE), que conta com representantes no Consuni, também avalia que o percentual de 20% é "muito modesto". Mesmo assim, pondera que nos cursos mais concorridos, como direito e medicina, a cota provocará uma "revolução".
"Alguns cursos já têm percentual superior a esse, mas há outros, mais elitizados, nos quais as cotas fariam a diferença. Apesar disso, o ideal seria 50% das vagas gerais para cotas", afirmou o coordenador de Cultura do DCE, Kenzo Soares.
Assistência Estudantil
Outra proposta que a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro apresenta à comunidade acadêmica medidas de apoio à permanência desses alunos na instituição.
A reitoria sugere a oferta de 2 mil bolsas de estudo no valor de R$ 360, bilhetes de transporte gratuito e computadores portáteis (netbooks), além de aulas de reforço em disciplinas como português e matemática.
O representante do Centro de Ciência Jurídicas e Econômicas no Conselho Universitário, professor Marcelo Paixão, avalia que as medidas estão centradas nos cotistas e alerta que alguma delas, como a oferta de netbooks, podem estigmatizar esses alunos.
"É preciso pensar na universalização, na ampliação dos serviços para toda a comunidade acadêmica. A ampliação dos laboratórios de informática atenderia a esses estudantes e aos demais", disse.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também defende a universalização. Os representantes estudantis criticam a lotação na Casa do Estudante e as filas do único Restaurante Universitário da UFRJ, ambos situados no campus da Ilha do Governador.
De acordo com a UFRJ, há 510 vagas na Casa do Estudante, todas preenchidas. "Mas, na prática, está superlotado porque os alunos de lá cedem espaço para outros que precisam dormir perto do local de estudo", contesta Anderson Tavares, coordenador de Infraestrutura do DCE.
Os estudantes criticam também o grande número de refeições servidas por dia no restaurante universitário: 2,5 mil almoços, por R$ 2 . "As filas começam às 10h", afirma Kenzo Soares, diretor de Cultura do DCE, que cobra a abertura de mais restaurantes e alojamentos nos outros campi da UFRJ.
Fonte: Da redação com Agência Brasil