DF: Escolas particulares terão reajuste acima da inflação
Pelo quarto ano consecutivo, as escolas particulares do Distrito Federal vão impor aumentos na mensalidade que podem romper a barreira dos 10%. Representantes dos principais colégios se reúnem hoje para discutir a planilha de custos e chegar a um percentual médio. Levantamento feito pelo Correio durante esta semana, porém, mostra que, em 2011, os preços subirão de 5% a 10%. A presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Amábile Pacios, adiantou que, em algumas instituições, o reajuste alcançará 11%, mais do que o dobro da inflação acumulada do ano, que é de 4,57%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As despesas das escolas incluem folha de pagamento de professores e demais funcionários, impostos, materiais de consumo e tarifas públicas (aluguel, água, luz etc.). Na hora de definir o reajuste anual, os diretores também levam em conta os investimentos em infraestrutura e a proposta pedagógica. Por exemplo: se o aluno tem direito a atividades extras — como balé, xadrez ou línguas não convencionais — a mensalidade tende a encarecer.
O período de matrículas começou em alguns colégios. Os que ainda não definiram o tamanho do aumento a ser aplicado a partir de janeiro de 2011 o farão hoje, após a assembleia do Sinepe-DF, ou até o fim de novembro, quando as últimas escolas abrem as portas para novos alunos. Há 220 estabelecimentos de ensino vinculados ao sindicato do setor. Incluindo os não filiados, esse número sobe para 450, em todo o DF.
Liberdade
A presidente do Sinepe-DF, Amábile Pacios, explica que cada escola tem liberdade para ajustar as mensalidades como bem entender. Cabe ao sindicato, pondera, orientar tecnicamente aquelas que necessitarem de ajuda na elaboração da planilha de custos. Segundo ela, o reajuste anual é previsível. “Não se trata de aumento, mas, sim, de repasse de despesas. O custo de vida aumenta todo ano. As famílias sabem muito bem disso”, defende.
Amábile sustenta que o percentual dos repasses em questão não é abusivo. “Não há ‘gordura’ nesses valores. (Escola) não é um bom lugar para investir. A lucratividade média do nosso setor tem girado em torno de 3% ao ano, o que é considerada baixa”, afirma a professora, dona de uma escola. Ela conta que a inadimplência nos colégios de Brasília se mantém, historicamente, em torno de 15%, sendo que metade dos devedores quita a dívida antes da virada do mês.
O casal de cirurgiões dentistas Luiz Alberto, 45 anos, e Cristina Ramagem, 44, tem dois filhos matriculados em escola particular — uma de 10 e outro de 13 anos —, o que resulta em uma despesa mensal de quase R$ 1,5 mil. Ao saber do reajuste previsto para 2011, o pai se preocupa: “Por que não respeitar a inflação do período? Início de ano já é tão complicado, com pagamento de impostos e tantas outras taxas”. A mãe questiona para onde vai o dinheiro de tantos aumentos. “Se o dinheiro fosse, ao menos, para o salário dos professores…”, diz ela.
O diretor-geral do Instituto de Defesa do Consumidor do DF (Procon-DF), Oswaldo Morais, conta que os colégios têm obrigação de explicar aos pais e responsáveis o porquê do reajuste. “E ele (o reajuste) só se justifica se houver algum benefício”, completa. A orientação é para que os pais fiquem atentos às promessas que, segundo as escolas, justificam os novos valores. Quem se sentir lesado pelo aumento deve recorrer ao Procon ou ao Ministério Público, que podem investigar possíveis abusos.
E ele (o reajuste) só se justifica se houver algum benefício” Oswaldo Morais, diretor-geral do Instituto de Defesa do Consumidor do DF.
Correções sucessivas
Percentuais máximos aplicados pelos colégios particulares do DF:
2008 - 10% - 2009 - 12% - 2010 - 11% - 2011 - 11%
Palavra de especialista
Aumentos exagerados
“A educação é um mercado farto em Brasília. Temos uma renda per capita elevada e toda uma cultura cristalizada em torno do investimento nos filhos. Os pais querem os herdeiros nas melhores escolas, para depois passarem nas melhores universidades e nos melhores concursos. Há um exagero no tamanho do reajuste anunciado, bem acima da inflação. Os aumentos estão muito além dos custos operacionais do período. Mas a maioria dos pais acredita na tese de que pagar uma escola boa é investimento e ponto final. Aí todos continuam pagando. O problema é que arcar com uma mensalidade cara não é garantia de que o filho não terá problemas no processo de aprendizagem, como acham muitos pais. Preço não tem nada a ver com desempenho do aluno.”
Remi Castioni, economista e professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), com larga experiência na área de políticas públicas de educação.
Desconto para mais de um filho
O Correio entrou em contato com 10 escolas da cidade. Cinco delas ainda não decidiram o percentual de aumento para 2011, mas adiantaram que muito provavelmente os valores subirão. Quatro informaram índices previstos e uma bateu o martelo em torno do reajuste. Os colégios dão descontos entre 5% e 10% a partir do segundo filho matriculado e para quem paga com antecedência.
No Marista, as matrículas começaram este mês. A taxa do ensino médio saltou de R$ 1.226 para R$ 1.332, aumento de 8,6%. Do 2º ao 5º ano do ensino fundamental, pulou de R$ 895 para R$ 965: variação de 7,8%. E do 6º ao 9º ano: de R$ 965 para R$ 1.040 (variação de 7,7%). No Leonardo da Vinci, a definição sai na próxima segunda-feira. Os preços devem subir de 8% a 10%. Atualmente a mensalidade do ensino médio é de R$ 1.135 e a do fundamental, R$ 753. Há desconto para quem opta pelo turno vespertino.
O reajuste também pode chegar a 10% no Sigma. Os valores atuais são diferentes nas duas unidades. Na Asa Sul: R$ 1.144 (ensino médio), R$ 837 (6º ao 9º ano) e R$ 772 (2º ao 5º ano). Na Asa Norte: R$ 1.120 (ensino médio) e R$ 820 (6º ao 9º ano). A reserva de vagas começou, mas matrículas só em novembro.
No Colégio JK, outra instituição onde o aumento poderá atingir 10%, o período de matrículas se inicia na próxima semana. Preços atuais: entre R$ 542 e R$ 576 (ensino fundamental) e entre R$ 688 e R$ 731 (ensino médio), a depender do ano. No Canarinho, os pais poderão garantir vaga a partir de 22 de novembro. A previsão de reajuste é de 5% a 7%. Hoje, as mensalidades custam R$ 737 (para alunos de três meses a 2 anos) e R$ 617 (de 2 a 6 anos).
O Galois ainda não fechou o reajuste do ano que vem. Só o fará no fim de novembro, quando começarão as matrículas. Valores de hoje: R$ 1.594 (ensino médio), R$ 1.358 (6º ao 9º ano) e R$ 1.055 (2º ao 5º ano). Quem estuda à tarde paga menos. O Sistema COC de Ensino, a Escola Paroquial Santo Antônio, o Colégio e o Centro de Ensino Candanguinho também não definiram o índice. (DA)
Fonte: Sinpro/EP
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