Mais de 30 mil universitários vão às ruas de Londres contra aumento de mensalidades
Milhares de universitários tomaram as ruas de Londres em protestos contra um projeto que prevê o aumento das mensalidades no Reino Unido. Alegando que os conservadores quebram suas promessas de campanha, estudantes invadiram a sede do partido em Millbank Tower.
Mais de 200 funcionários que trabalhavam na sede dos conservadores foram retirados pela polícia após os manifestantes invadirem o prédio e iniciarem fogueiras no local.
De acordo com o jornal "The Guardian" a União Nacional dos Estudantes do Reino Unido estima que mais de 52 mil pessoas participam dos protestos.
O diário, que acompanha ao vivo os protestos, diz que a situação é de muita tensão e que ao menos dois policiais já foram feridos e que já há intensos confrontos entre os estudantes e os oficiais de segurança.
Em frente ao Parlamento britânico também há um grande número de pessoas protestando, diz o "Guardian".
Professores também participam dos protestos contra planos dos parlamentares britânicos que preveem um aumento de 9 mil libras [R$ 24 mil] para 14 mil libras [R$ 38 mil] por ano o preço médio para estudar em universidades do país.
O governo anunciou recentemente uma redução de 40% no orçamento para educação, com a eliminação de muitos empréstimos e bolsas de estudos, aponta a emissora britânica BBC.
De acordo com os planos do atual governo, chefiado pelo premiê David Cameron, os recursos eliminados pelos cortes deverão ser obtidos por meio do aumento das mensalidades cobradas dos universitários, que, caso aprovados no Parlamento, entram em vigor a partir de 2012.
Quebra de promessas
Os liberais-democratas --liderados pelo vice-premiê britânico Nick Clegg-- tinham como promessa de campanha abolir totalmente as taxas para universidades.
Os manifestantes argumentam que após formar a coalizão de governo com os conservadores, do premiê David Cameron, o partido teria quebrado a promessa ao concordar com o projeto atual e ameaçam abrir processos para revogar o assento dos parlamentares liberais-democratas que votarem a favor das novas medidas.
Cameron na china
Os intensos protestos ocorrem em meio à visita de Cameron à China, onde pediu hoje que o governo dê início a um processo de maior abertura política.
Em meio à visita de agenda majoritariamente econômica, o premiê britânico David Cameron fará um discurso a estudantes da Universidade de Pequim pedindo ao regime comunista chinês uma maior abertura política, adotando a democracia e a liberdade.
Trechos do discurso que Cameron deve proferir ainda nesta quarta-feira foram vazados à imprensa e apontam para uma arriscada manobra que pode ofender os anfitriões da delegação britânica, que conta com mais de 50 empresários do país.
"O aumento da liberdade econômica na China nos últimos anos foi muito positivo para a China e para o mundo. Espero que, em seu momento, isto leve a uma maior abertura política porque estou certo de que a melhor garantia de prosperidade e estabilidade é que o progresso econômico e político andem lado a lado", deve dizer o premiê aos estudantes.
Cameron, que termina nesta quarta-feira sua viagem oficial de dois dias a Pequim, é o primeiro líder ocidental a visitar a China após a atribuição, em 8 de outubro passado, do prêmio Nobel da Paz ao dissidente chinês chinês Liu Xiaobo.
No discurso, o premiê britânico deve salientar ainda as virtudes da democracia e da liberdade de imprensa no Reino Unido.
Ainda na noite de terça-feira os membros da delegação britânica --incluindo Cameron-- insistiram em usar flores de papoula como um adereço em seus ternos, recusando um pedido das autoridades chinesas para que as retirassem.
O efeito é visto como uma afronta pela China, que vê na papoula um símbolo das guerras do ópio perdidas no século 19 -- para os britânicos a flor representa uma honraria aos mortos pela pátria.
"Os chineses nos disseram que seria indecente usar uma papoula devido às guerras do ópio", disse um alto funcionário britânico.
Os países do "Commonwealth", a Comunidade Britânica, têm a tradição de usar uma papoula em seus ternos no período que vai do fim de outubro a 11 de novembro todos os anos, em memória dos soldados que morreram durante a Primeira Guerra Mundial.
As chamadas "guerras do ópio" foram um combate entre a dinastia Qing e o Reino Unido, e posteriormente também com outras nações, pela proibição do comércio da droga --fabricada a partir da papoula-- em território chinês.
Fonte: Folha Online