Maioria dos brasileiros vai chegar a ter oito anos de estudo apenas em 2015
A população brasileira acima de 15 anos vai levar pelo menos meia década para chegar ter oito anos de escolaridade, equivalente ao ensino fundamental completo (antigo primeiro grau). Esse tempo mínimo de ensino é garantido pela Constituição Federal.
O Brasil possuía média de 7,5 anos de estudo em 2009, segundo um levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta quinta-feira (18).
A pesquisa é feita com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Em um intervalo de quase duas décadas, entre 1992 e 2009, o crescimento foi de apenas 2,3 anos de estudo.
No início da década de 1990, os brasileiros terminavam o equivalente ao primário, com 5,2 anos passados na escola. Já em 2009, chega-se ao atual nível de estudos, que beira o ensino fundamental completo com 7,5 anos.
Nas áreas urbanas, em grandes metrópoles, o índice de escolaridade é quase o dobro (8,7 anos de estudo) do que nas áreas rurais (4,8 anos de estudo).
As mulheres têm mais escolaridade do que os homens, historicamente - desde 1992 até 2009, dentro da série histórica pesquisada pelo Ipea, elas sempre estiveram à frente nos estudos.
No ano passado, elas tiveram 7,7 anos de escolaridade, contra 7,4 anos dos homens.
Patamar insatisfatório
O Ipea aponta o analfabetismo entre adultos e idosos como uma das razões para o "patamar bastante insatisfatório" da escolaridade entre os brasileiros.
A população com mais de 40 anos tem 6,2 anos de estudo, bem menos do que as pessoas entre 25 e 29 anos, que ultrapassam o nível fundamental e chegam ao médio (com 9,4 anos de estudo).
Há grandes diferenças regionais - enquanto no Sudeste as pessoas têm 8,2 anos passados na escola, em média, em 2009, no Nordeste este indicador fica em 6,3. O crescimento anual médio brasileiro foi de 0,14 anos de estudo, no período avaliado pelo Ipea.
Eles são pardos (58,8% da população), idosos (42,6%) e vivem no Nordeste (52%). São 6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais que não sabem ler nem escrever, quase dez vezes mais do que os 650 mil analfabetos brasileiros na faixa dos 15 aos 24 anos.
Trata-se de uma população difícil de atingir por programas de alfabetização, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, no começo de setembro.
A dificuldade de alfabetizar os idosos acontece porque eles vivem majoritariamente no meio rural, no interior do Nordeste, e não veem benefícios na educação, segundo Haddad. “Uma das características do analfabeto brasileiro é que ele está no meio rural, é idoso e tem atividade econômica, portanto ele só tem a noite e o fim de semana para estudar. É muito difícil, nessas condições, convencer a pessoa a largar a hora de lazer que ela tem para voltar ao banco da escola”.
Fonte: R7