Luz no fim do túnel

Texto extraído do Opinião da Diretoria do site do Sinpro-SP

Duas das instituições universitárias de São Paulo que mais praticam irregularidades contra seus professores acabam de ser punidas pelo MEC com a perda da sua autonomia e passam, a partir de agora, a viver sob o monitoramento dos órgãos que fiscalizam o sistema de ensino superior brasileiro. Por enquanto, a punição diz respeito à impossibilidade de que essas "escolas" abram novos cursos e ampliem sua oferta de vagas, além das providências que devem tomar para corrigir a bandalheira em que transformaram suas atividades. Se conseguirem andar na linha com a comprovação de que suas deficiências foram sanadas, recebem de volta as regalias sob as quais haviam se camuflado até agora.

A diretoria do SINPRO-SP não pode esconder sua satisfação com o resultado que essas duas instituições obtiveram no Índice Geral de Cursos (IGC) - um complexo de variáveis que permite saber se são escolas sérias ou não -, especialmente porque ambas estão entre aquelas contra os quais nosso Sindicato promoveu o maior número de manifestações de protesto pelo fim do verdadeiro descalabro das condições de trabalho de seu corpo docente. Nem uma nem duas vezes apenas, o SINPRO-SP e os professores tornaram públicas essas denúncias e levaram-nas ao conhecimento das autoridades federais. Em todas essas oportunidades, sempre ficou evidente que o tratamento irregular recebido pelos professores andava de mãos dadas com a baixa qualidade do ensino e de todas demais condições estruturais que vitimavam também os alunos.

Em contrapartida, como se tivessem méritos para isso, essas "escolas" gozavam da autonomia, aquele que é o mais tradicional e legítimo status da instituição universitária. Concebida historicamente como um instituto que assegura a liberdade de pensamento e de pesquisa, uma espécie de isolamento que garante a não intervenção do Estado nas suas regras próprias de funcionamento, no Brasil, por força dos interesses privados que tomam conta de sua lógica, as universidades particulares acabaram encontrando nesse privilégio uma garantia que nada tem a ver com a Educação e a Ciência - na verdade um biombo atrás do qual manobram sua racionalidade exclusivamente financeira. A perda da autonomia com que essas duas "escolas" são punidas agora mostra que nem tudo está perdido e que há uma luz no fim do túnel.

É claro que elas não são as únicas. Os próprios resultados do IGC demonstram que a fronteira entre a mediocridade e a completa desqualificação de muitas das universidades particulares é muito pequena. O SINPRO-SP considera que sua ação na defesa dos interesses dos professores é fundamental para que essa diferença fique publicamente demonstrada.

Fonte: Sinpro-SP