Apesar de protestos, Reuni teve 100% de adesão

Apesar de muitos protestos realizados por alunos de instituições federais de todo o país, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) teve a adesão de todas as 53 instituições espalhadas pelo Brasil. Destas, apenas 11 ainda não tiveram seus projetos aprovados pelo Ministério da Educação (MEC) e devem receber recursos apenas no segundo semestre deste ano. Já as outras 42 iniciam este novo ano com uma motivação a mais para o cumprimento de seus principais objetivos.

De acordo com o secretário de educação superior (Sesu), Ronaldo Mota, o crédito concedido às instituições representa um valor inicial que possibilitará mudanças na estrutura e funcionamento das universidades e serão revertidos para a consolidação e interiorização do sistema federal. "Os recursos serão aplicados para complementar as despesas de funcionamentos das instituições federais", enfatizou Mota. Obras de construção e ampliação da estrutura física já poderão ser iniciadas, assim como a aquisição de equipamentos necessários para o melhor funcionamento das instituições. Construção de salas de aula, laboratórios, ampliação de bibliotecas, alojamentos e equipamentos também podem ser feitos.

O Reuni gerou muita polêmica e divergências no meio acadêmico durante o ano de 2007. Apesar das quatro federais do Rio - UFRJ, UniRio, UFF e Rural - terem aderido ao programa, estudantes de todas estas universidades ocuparam suas respectivas reitorias afim de que os dirigentes das federais não enviassem projetos ao MEC. Na UFF e na Rural, as manifestações estudantis foram um pouco mais expressivas, fazendo com que estas universidades se atrasassem e só enviassem seus projetos quando o ministério realizou sua segunda chamada, encerrada no dia 20 de dezembro. Entre as metas do programa, está a elevação de taxas como a de conclusão de cursos de graduação para 90% e a relação professor-aluno. Este índice que atualmente é de dez por um, a partir do planejamento de cada instituição, passaria a ser de 18 alunos por professor.

Com a demanda de um perfil cada vez mais diverso de estudantes, o Reuni também pretende ampliar a oferta do ensino noturno, possibilitando um acesso à graduação mais democrático para os universitários que trabalham durante o período diurno. Outra medida refere-se à flexibilização de currículos e à criação de novos modelos acadêmicos. Com isso, as universidades pretendem aumentar a mobilidade estudantil e implementar regimes curriculares que permitam o aproveitamento de créditos e um maior intercâmbio dos estudantes entre instituições, cursos e programas de educação superior. O acréscimo de 20% nas verbas das universidades que o governo calcula ser necessário para que tais medidas sejam consolidadas deverão gerar frutos em um prazo de cinco anos.

Fonte: Educacional
Publicado em 10/01/2008