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Número de escolas clandestinas cresce 96% no DF
O preço reduzido nas mensalidades – entre R$ 60 e R$ 150 – somado à facilidade de estarem próximas às casas dos alunos - faz das instituições clandestinas uma opção atrativa para muitos pais. Mesmo cientes da falta de registro junto à Secretaria de Educação, eles optam por matricular os filhos em locais onde não há preparo pedagógico.
Cada vez mais comuns em áreas residenciais, escolas particulares sem licença para funcionamento multiplicam-se no Distrito Federal. O preço reduzido nas mensalidades – entre R$ 60 e R$ 150 – somado à facilidade de estarem próximas às casas dos alunos - faz das instituições clandestinas uma opção atrativa para muitos pais. Mesmo cientes da falta de registro junto à Secretaria de Educação, eles optam por matricular os filhos em locais onde não há preparo pedagógico. Em muitos casos, as instituições apresentam documentos vencidos e enganam com promessas de oferecer ensino de qualidade.
O último levantamento feito pela Subsecretaria de Planejamento e Inspeção de Ensino do DF aponta a situação alarmante. Até dezembro de 2006, das 518 instituições particulares cadastradas, 55 funcionavam com o registro vencido. Pela verificação realizada há 16 dias, o número saltou para 108, o que representa aumento de 96%. As escolas clandestinas ainda mostram ousadia e estampam propagandas pelas ruas da cidade.
O CorreioWeb visitou escolas em Ceilândia e Taguatinga e constatou a situação de completa irregularidade. Apenas uma, entre nove verificadas, funcionava com a portaria de licença da Secretaria de Educação. O improviso nas instalações é a característica mais comum. Mesas e carteiras são precárias e o espaço reduzido. Em algumas escolas, as aulas acontecem em salas fechadas e sem ventilação. O descumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) também fica evidente, já que o calendário do ano letivo não respeita os 200 dias de aulas previstos.
Riscos
O público-alvo das escolas clandestinas são crianças que cursam a Educação Infantil – com idades entre três e seis anos - embora também haja locais que oferecem Ensino Fundamental. Pedagogos alertam sobre o perigo de os pais matricularem os filhos em uma instituição despreparada. Segundo eles, deficiências de ensino na época que antecede a alfabetização podem causar danos irreparáveis. "Se houver lacunas nesse período, a criança enfrenta dificuldades de aprendizagem para o resto da vida. Esse risco deveria ser levado em consideração pelos pais antes de fazer a matrícula nesses locais", alerta a pedagoga Maria Eugênia Santos.
Mas há quem defenda as escolas sem licença para funcionamento, mesmo ciente dos eventuais prejuízos à educação infantil. Moradora de Ceilândia e funcionária dos Correios, Leila Carla argumenta que a pré-alfabetização de sua sobrinha foi garantida. A mensalidade de R$ 90 e a proximidade da casa foram os fatores determinantes para a permanência dela no em um instituto infantil durante três anos. "Eu sabia que a licença ainda estava em processo, mas não tenho nada a reclamar da escola. Ela acompanha hoje o ritmo de ensino perfeitamente. Foi um bom período pela tranqüilidade e aconchego", conta ela, que matriculou a sobrinha este ano em uma escola particular cadastrada para cursar o 1º ano do ensino fundamental.
Fonte: CorreioWeb/ Sinproep/ DF
Publicado em 10/01/2008 |
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