Chile cria fundo de US$ 4 bilhões para educação; parte virá do cobre


O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou ontem à noite, em cadeia nacional, a criação de um fundo de US$ 4 bilhões para a educação, reagindo às manifestações dos estudantes do país que já duravam cerca de um mês. Os recursos virão do Tesouro Público, do Fundo de Estabilização Econômica e Social e também dos excedentes do cobre.

No discurso, que de acordo com o jornal chileno El Mercurio durou 13 minutos e foi acompanhado por universitários de todo o país, Piñera prometeu aumentar de 70 mil para 120 mil a quantidade de bolsas de estudo e elevar em 20% seu valor. Além disso, os centros de ensino que forem autorizados a ter lucro terão de pagar impostos, que serão revertidos em bolsas e empréstimos para os alunos mais carentes.

Piñera anunciou também a criação da Superintendência de Educação Superior, que era solicitada por reitores e estudantes, além da abertura de um amplo debate para analisar a permissão para que as universidades tenham lucro. O presidente também confirmou a criação da subsecretaria para a educação terciária, algo que já havia adiantado no fim de maio.

Ele afirmou que as medidas serão parte de um Grande Acordo Nacional para a Educação, que tem como finalidade melhorar o acesso, a qualidade e o financiamento do ensino terciário.

Os protestos dos estudantes chegaram a reunir mais de 100 mil pessoas, o que não ocorria há mais de 20 anos. Ontem, o Centro de Estudios de la Realidad Económica informou que a aprovação de Piñera caiu 12 pontos, para 35% em maio, a pior desde o fim da ditadura, em 1990.

Fonte: Valor Online