Proposta do governo chileno para educação será avaliada por estudantes e professores
Estudantes universitários, secundaristas e professores chilenos se mostraram satisfeitos pelo fato do governo de Sebastián Piñera ter entregado uma proposta para a educação com o objetivo de solucionar a crise no setor e atender as demandas do movimento.
Líderes estudantis e docentes, no entanto, afirmaram que vão analisar o documento e darão uma resposta na próxima sexta-feira.
Durante duas horas, o novo ministro da Educação, Felipe Bulnes, explicou as 21 propostas a estudantes e professores. O texto ratifica "o compromisso de aumentar em US$ 4 bilhões o orçamento da educação, desde agora até os próximos quatro ou seis anos" nos níveis infantil, fundamental, médio e superior.
O projeto também se responsabiliza em "aumentar substancialmente o subsídio escolar ano a ano, com o objetivo de que o valor se duplique até 2018".
Além disso, o documento, acolheu a principal demanda estudantil de tirar dos municípios a gestão do ensino infantil, fundamental e médio. O governo garantirá constitucionalmente o direito à educação.
"Consideramos procedente gerar novas alternativas institucionais que permitam desmunicipalizar a administração da educação estatal naquelas cidades que não alcançar bons resultados. Este novo sistema de administração da educação estatal deverá se basear em instituições públicas, autônomas", declarou o governo.
No plano universitário, o Ministério aceitou o pedido por uma mudança no acesso à universidade, o financiamento estudantil e o fim do lucro dos estabelecimentos privados que recebem contribuição pública.
Ao término da reunião com Bulnes, o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, confirmou que "o ministro entregou uma resposta que temos que analisar, discutir em nossas bases e, junto com os universitários e secundaristas, veremos os próximos passos".
Gajardo afirmou que continuará discutindo a proposta em assembleias e que na sexta-feira entregarão uma resposta ao governo. Segundo ele, no documento de 17 páginas "há alguns aspectos que são reivindicados como a desmunicipalização, o crédito com aval do Estado, outras coisas, mas é evidente que requer uma maior análise".
De acordo com o dirigente, foi o movimento cidadão que tornou possível colocar novamente o tema de educação no centro do debate com uma capacidade de mobilização que não se via há mais de duas décadas.
"Valorizamos este movimento que ainda está em curso. Há um grande fortalecimento e unidade, fomos capazes de colocar os temas centrais no debate público e tem sido um momento muito importante para o país porque atualmente é preciso mudanças significativas na educação", ressaltou.
Por sua vez, a presidente da Confederação dos Estudantes da Universidade do Chile (Confech), Camila Vallejo, não quis falar mais sobre o caso e se limitou a dizer que é necessário estudar o projeto e "avalia-lo em assembleias".
Há dois meses, as escolas e universidades públicas estão ocupadas e uma ampla mobilização, que chegou a reunir cerca de 400 mil pessoas nas ruas do Chile no final de junho, pede melhoras na educação.
Fonte: UOL