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Aula sem fio: escolas paulistanas usam tecnologia para tentar conquistar a atenção dos alunos
Na lista de material escolar, livros e cadernos dividem espaço com cartuchos para impressora e mídias de armazenamento, como CDs e DVDs.
No colégio, alunos deixam de copiar tudo o que o professor fala. Eles sabem que, após a aula, podem receber pela internet um arquivo com as informações -elas ficam gravadas na lousa digital, uma tela ligada a um computador que permite apresentar conteúdo multimídia.
No intervalo entre uma disciplina e outra, estudantes abrem seus laptops e se conectam à internet por rede sem fio.
A volta às aulas em várias escolas de São Paulo é high-tech. Para conquistar estudantes que já nasceram em meio a computadores e demais aparatos tecnológicos, colégios investem em equipamentos digitais, como lousas especiais, e em aulas interativas, como robótica.
"O colégio não pode ficar para trás. Temos de despertar o interesse do aluno", diz Jania do Valle, diretora operacional e de informática do Colégio Augusto Laranja. "Uma aula multimídia consegue concorrer com videogame, televisão, som, coisas que fazem parte do dia-a-dia dos alunos."
No Augusto Laranja, além da lousa digital, os alunos contam com um diário óptico, em que os professores marcam presença e ocorrências durante as aulas -por exemplo, se o aluno esqueceu o material, se foi expulso de sala. Ao final do dia, um leitor coleta as informações, que são enviadas aos pais.
As aulas de robótica ensinam os alunos do Colégio Magno a projetar, calcular e trabalhar em grupo. Eles utilizam peças semelhantes às do jogo Lego para construir robôs capazes de executar tarefas simples, como empurrar um bola.
"A escola se aproxima do aluno quando utiliza recursos interativos. Eles usam iPod, fazem seus filmes para colocar no YouTube. Quando observam que a escola também oferece isso, a comunicação se torna melhor", diz Sérgio Maciel, coordenador de tecnologia do Magno.
Disciplinas como geografia e matemática ficam mais interessantes com o uso de uma estação meteorológica, no Colégio Arquidiocesano. A partir de dados coletados no topo do prédio, os alunos trabalham números em planilhas de Excel.
Já o planetário "é utilizado tanto para aulas de inglês sobre o zodíaco quanto para estudo dos planetas, do sistema solar", diz o coordenador de tecnologia Marcus Vinicius de Souza.
Para Gilson Schwartz, líder do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento, da USP (Universidade de São Paulo), mais do que investir em tecnologia, escolas precisam trabalhar a emancipação digital. "A inclusão é ter acesso a um aparelho. Quando a gente fala em emancipação, quer enfatizar que, se você acessar de forma passiva, terá um retorno baixo. As pessoas têm que praticar, inovar, perceber como a tecnologia ajuda nos estudos", diz.
Estudantes paulistanos carregam pendrive e laptop
Na mochila de Luiz Maurício Jardim Filho, 16, há espaço para pendrive, celular e laptop. Se não deu tempo de terminar o trabalho, ele leva o arquivo para dar os últimos retoques junto a colegas ou professores. Se precisa de um livro mas não o encontra na biblioteca, pesquisa o conteúdo na internet.
"A gente acaba dependendo da tecnologia para fazer tudo com mais agilidade", diz o aluno do Colégio Pueri Domus. "E, também, para ter mais fonte de pesquisa. Se for depender só da escola -onde existem cinco computadores por prédio- a gente não sabe se vai ter alguém querendo usar [a web]."
Para Felipe Tricate, 14, aluno do Colégio Magno, o destaque entre as inovações que chegam à sala de aula vai para a lousa eletrônica, que permite a exibição de imagens do computador e a escrita manual, além da gravação do conteúdo em CD ou DVD. "O professor pode desenhar na página, fazer esquemas. Acho positivo a escola usar a tecnologia, porque isso desperta o interesse da gente para estudar mais", diz Tricate.
Camila Amâncio, 15, deixa o celular e o iPod desligados enquanto está em aula, no Colégio Pio XII. Mas o pendrive com trabalhos e fotos de visitas pedagógicas está sempre com a estudante, que até faz algumas provas no computador.
Em casa, Camila usa a internet para complementar os estudos. "É um meio mais interativo de aprender as coisas", diz.
E a facilidade de já encontrar tudo pronto na internet? "Eu pesquiso, copio e colo o material, para leitura. Mas é para ler, entender e, só depois, escrever. É mais um processo para organizar as idéias", diz Camila.
Para Vitor Finotal, 16, que vai para o segundo ano do ensino médio, também no Pio XII, "é difícil controlar a vontade de copiar e colar". "Mas você sempre tem que saber que aquilo não é 100% confiável. Tem que pesquisar em livro também."
Por mais simples que seja copiar e colar textos da internet, os estudantes esbarram em anos de experiência dos professores. "Dá para perceber quando não foi o aluno que produziu aquele conteúdo", diz Maria Terezinha Vilardo Lopes, professora do Pio XII.
Ela costuma fazer roteiros de trabalho com os alunos, para que eles não cheguem com o conteúdo pronto. "A gente marca as etapas do trabalho. Em um dia eles levam slides, em outro, idéias para o texto."
Para João Roberto Moreira Alves, presidente da ABT (Associação Brasileira de Tecnologia Educacional), o importante não é a escola usar tecnologia, e sim fazer com que os alunos aproveitem essa tecnologia da melhor maneira. "Não adianta só disponibilizar condições de acesso. É importante ter um foco e fazer um processo de aprendizagem colaborativo", diz.
Aula ganha continuidade on-line
Por meio de blogs, sites e listas de discussão, professores dão extensão ao que é ensinado nos colégios. Se o uso de equipamentos digitais e interativos já é realidade em escolas particulares de São Paulo, a articulação entre professores e alunos dá seus primeiros passos.
Usando ferramentas sociais, como blogs e listas de discussão, os times tentam aprender a mesma lição: como usar a internet para dar continuidade ao assunto abordado na escola e estimular trocas e discussões.
No blog da Escola Dinah (dinahbrotas.blogspot.com), feito por alunos e professores de Brotas (245 km a noroeste de SP), há trechos de aulas, dicas de atividades extras e textos sobre fatos históricos.
A idéia foi do professor de artes Paulo César Antonini de Souza. "No começo, eu coletava o material com os professores. Depois, eles e os alunos começaram a trabalhar também", diz. Por meio de um cronograma, textos e fotos de diferentes disciplinas são postados em dias específicos.
A professora Fátima Franco mantém dois blogs educativos, o Internet na Educação (internetnaeducacao.blogspot.com) e o Leitura e Escrita na Escola (leituraescola.blogspot.com), onde apresenta informações, metodologias e sugestões de atividades. "É um espaço para estar mais próxima de professores que estão começando a usar recursos da informática na educação", diz.
Ela mantém, ainda, uma lista de discussão (br.groups.yahoo.com/group/blogs_educativos), na qual cerca de 400 professores de todo o Brasil trocam experiências.
"Professores podem usar a rede digital para se comunicar com outros professores. Quanto mais troca, mais espaço eles construírem entre si -no Orkut, no MySpace- melhor vão enfrentar o desafio", diz Gilson Schwartz, da Cidade do Conhecimento (cidade.usp.br).
Fonte: Folha de São Paulo
Publicado em 30/01/2008 |
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