Encontro em Montes Claros/MG debate o ensino superior

Professores do norte de Minas participaram, nos dias 19 e 20 de outubro, na Unimontes, em Montes Claros/ Minas Gerais, do Encontro Regional da Educação Superior. Em palestras, debates e grupos temáticos, os docentes discutiram temas como a reforma universitária, as políticas públicas para o ensino superior no País, condições de trabalho dos professores da rede privada, educação à distância, entre outros. 

O presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, falou sobre os dilemas e perspectivas da educação superior no Brasil. Segundo ele, ou o país abandona a lógica neoliberal e investe mais em educação ou continuará sendo uma nação subdesenvolvida, excludente, exportadora de produtos primários e distante das grandes discussões da ciência, como a nanotecnologia e a genética. “Onde estaremos nos próximos trinta anos? O Brasil não terá alternativa se não impulsionarmos a educação em direção a um projeto nacional soberano. E, quanto mais a iniciativa privada entra na área da educação, mais nos afastamos de um futuro promissor. Daí a necessidade de regulamentar o setor privado de ensino”, defendeu Gilson Reis. 

Ao discutir aspectos da reforma do ensino superior no país, a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino e professora da PUC Campinas, Maria Clotilde Lemos Petta, apresentou dados de uma pesquisa que aponta o predomínio do setor privado. De acordo com o estudo, do total de 2,4 mil instituições de ensino superior no país, 90% são privadas. Na análise da diretora, o país ainda não possui um sistema nacional de educação. “Em todos os momentos da nossa história em que se colocou a possibilidade de criar um sistema nacional de educação, o setor privado agiu com o objetivo de impedir que isso acontecesse”, afirmou Maria Clotilde Petta.



Segundo ela, não é possível desvincular a educação básica do ensino superior, conforme têm feito algumas pessoas, ao defenderem que os recursos sejam aplicados prioritariamente no ensino fundamental e médio. “Não é possível falarmos em qualidade no ensino básico sem qualidade no superior, onde se formam os professores. Prioritário é um sistema educacional que articule os diferentes níveis e garanta uma educação de qualidade para todos”, defendeu.

Sobre a reforma universitária, a professora destacou que, neste momento, em função do forte lobby dos empresários da educação, o governo federal está protelando a implantação do sistema de avaliação das instituições de ensino superior, bem como a tramitação do projeto de lei que trata do assunto. “Os empresários querem implodir o Sinaes [Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior]”, lembrou. “É fundamental que o Estado brasileiro coloque exigências para essas instituições. A educação não pode ser tratada como mercadoria”, criticou a diretora da Contee.

Durante o encontro, os professores se dividiram em quatro grupos temáticos, que discutiram a educação a distância, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), a expansão do ensino superior e a precarização do trabalho docente e a reforma universitária. Cada grupo elaborou um conjunto de propostas, que será sistematizado e reunido em um documento. Na análise da diretoria do sindicato, o encontro foi muito importante, pois ampliou o debate em torno dos problemas que envolvem a categoria e levantou diversas reivindicações dos professores, que vão subsidiar as negociações com o sindicato patronal.
  
Opróximo encontro será realizado nos dias 7 e 8 de dezembro, em Viçosa/MG, com o tema “Expansão do Ensino Superior e Precarização do Trabalho Docente”. Em breve, a inscrição e a programação completa estarão disponíveis no portal do Sinpro Minas.

Fonte: Sinpro/MG
Publicado em 22/10/2007