Secretário do MEC defende qualificação do ensino básico

O início do ano letivo na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg) abriu espaço para uma acalorada discussão sobre a atual situação da educação no País. O secretário nacional de Ensino Superior do MEC, Ronaldo Mota, veio à cidade para a Aula Inaugural da instituição, e aproveitou para enumerar as principais dificuldades encontradas pelo Ministério da Educação em relação ao ensino superior.

O MEC atual se caracteriza por defender uma visão sistêmica, que enxerga a educação como um todo. No encontro realizado ontem à tarde no Cidec-Sul, Mota voltou a defender que o desenvolvimento do País está associado à melhoria do ensino, numa visão que contempla todos os níveis. Para o secretário, a educação superior está diretamente conectada às demais. "Não dá para melhorarmos a formação básica se as universidades não forem aprimoradas", declarou.

Mota disse que o Brasil vive um momento especial na educação, uma vez que nunca se investiu tanto na área. "É preciso, entretanto, medir a quantidade de recursos que se investe", opinou.

O secretário defende que "um dos elementos para aperfeiçoarmos o ensino superior no País é melhorar o nível dos alunos que chegam à universidade. Isso implica melhorar a educação básica. Qualquer visão que desconecte as modalidades de ensino causa um prejuízo grande para se entender a educação como um todo."

Para comprovar sua preocupação, o membro do MEC recorreu aos números. Explicou que, dos quase 2 milhões de professores da educação básica em todo o Brasil, 400 mil não têm nível superior. "Outros 400 mil têm terceiro grau, mas não na área que ministram. E o 1,2 milhão restante não são frutos de uma educação continuada e permanente".

Segundo o secretário, a educação superior pode comprometer-se a melhorar a educação básica através de alguns elementos distintos. Manter contato com novas tecnologias, discutir novas metodologias e promover um tratamento igualitário entre as carreiras docente e científica são alguns deles. "É preciso produzir ciência e ensinar ciência com a mesma qualidade", avaliou Mota.

Fonte: Agora/RS
Publicado em 06/03/2008