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Protestos estudantis iniciam com vitória em SP e luta na BA
Depois da pressão exercida por entidades do movimento social e estudantil, o governador José Serra (PSDB) anunciou esta terça-feira (25), o fracasso do leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A decisão foi considerada uma vitória para o movimento estudantil paulista que comemorou com passeata no centro de São Paulo o fracasso do leilão. Na Bahia, cerca de 700 estudantes também protestaram por mais investimentos na educação.
''Realizamos um ato em comemoração a essa vitória, mas nos manteremos atentos a qualquer tentativa de privatização de empresas brasileiras'', anunciou o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), Arthur Herculano.
O cancelamento do leilão de privatização da Cesp foi uma vitória do povo, na avaliação do presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes.
“A Cesp é uma empresa de um setor estratégico da economia nacional e a sua manutenção nas mãos do Estado é fundamental para que o Brasil tenha a segurança de uma infra-estrutura energética razoável para a sustentação de um crescimento econômico duradouro”, sintetizou Wagner Gomes ao se pronunciar contra o leilão.
Protesto em SP
Cerca de mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, participaram na manhã desta quarta-feira (26) do ato em defesa da educação e contra privatizações promovido pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Segundo os organizadores, duas mil pessoas participaram da manifestação.
O protesto começou por volta das 8h na Praça da Sé, no Centro de São Paulo, passou pela Bolsa de Valores (Bovespa) e terminou no Largo São Bento, às 13h. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), não houve registros de transtornos ao trânsito.
Além da comemoração do fracasso, por falta de concorrentes, do leilão da Cesp, os estudantes protestaram por mais verbas para a educação. “Fizemos um grande carnaval de comemoração”, disse a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
A manifestação desta manhã abriu a Jornada de Lutas das entidades estudantis que promovem, até dia 28 de março, atos em todas as capitais do Brasil.
“O ato foi importante para demonstrar que o movimento popular está unido em defesa da Cesp”, disse Carlos Rogério Nunes, secretário de comunicações da CTB, que esteve no ato e falou em nome da central. “O governo Serra certamente voltará a tentar realizar o leilão e é importante que este movimento não se disperse para que possamos derrotar as novas investidas contra a Cesp”, explicou.
700 estudantes na Bahia
Com uma pauta de reivindicações diversas, estudantes universitários e, majoritariamente, secundaristas realizaram uma passeata nesta quarta-feira em Salvador. A manifestação - promovida pela UNE e pela Ubes e apoiada por várias entidades estudantis - reuniu cerca de 700 pessoas no Campo Grande, segundo a Superintendência de Engenharia de Tráfego (Set), e depois seguiu até a Praça Municipal, chamando a atenção da população para os problemas relativos à educação no Brasil.
Eles reivindicaram o aumento do número de vagas nas universidades, assim como a ampliação da assistência estudantil.
“É necessário que se garanta a permanência do aluno carente nas Universidades, com bolsas-auxílio, restaurantes e residências estudantis”, afirma o presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB), Jéferson Conceição.
Eleições diretas para diretor na Bahia
No âmbito estadual, os manifestantes querem eleições diretas para os cargos de diretor e vice-diretor das escolas públicas. Para eles, uma maior atenção deve ser dada às universidades estaduais, que poderiam ter o número de vagas ampliado, além de cotas para estudantes oriundos do sistema público de educação.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação, a proposta de uma escolha democrática dos dirigentes escolares já foi encaminhada à Assembléia Legislativa do Estado e deve ser colocada em prática a partir do próximo ano.
Um dos focos da manifestação foi uma resposta antecipada aos rumores de um possível aumento nas tarifas de ônibus, que os estudantes consideram intolerável, e o questionamento sobre a gratuidade do serviço.
Passe livre em Salvador
“Deveríamos ter direito ao passe livre. Muitas vezes, nossos pais vão a pé para o trabalho para deixar o transporte com a gente, não é justo. Eu moro na Liberdade e estudo na Ribeira, já pensou?”, reclama o estudante secundarista baiano Felipe Rabelo.
Em relação a estas demandas, o prefeito de Salvador, João Henrique, apresentou o Decreto n° 17.127, publicado em 19 de janeiro de 2007, que garante a inalteração dos valores das passagens de ônibus até dezembro de 2008. No que se refere ao passe livre, no entanto, ele argumenta que os custos operacionais impossibilitam a inexistência de pagamento por parte de toda a classe estudantil.
Na manifestação, os estudantes também se mostraram a favor da limitação do capital estrangeiro nas universidades e contra a mercantilização da educação. “Já existem instituições de ensino negociando ações na Bolsa de Valores!”, indigna-se a diretora de comunicação da UEB, Juci Santana.
Os organizadores da passeata também prestaram homenagem ao estudante secundarista Edson Luís
Sobre a Jornada
A Jornada já é uma tradição das entidades que a cada ano, sempre no mês de março, elege um tema relacionado à educação, que esteja na ordem do dia.
Este ano a Jornada de Lutas elegeu as seguintes bandeiras: fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU); gestão democrática nas escolas; aumento nas verbas, com 10% do PIB para a educação; limitação do capital estrangeiro nas universidades brasileiras; mais qualidade e acesso ao ensino superior.
Além das bandeiras que nortearão as manifestações pelo Brasil, a Jornada também relembra os 40 anos da morte do estudante secundarista Edson Luis, assassinado no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro em 1968, pela ditadura militar.
Fonte: Vermelho
Publicado em 26/03/2008 |
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