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Estudantes protestam na França contra corte de vagas de docentes
Cerca de 19 mil secundaristas participaram ontem em Paris da quinta passeata convocada para protestar contra a supressão de 11.200 empregos no ensino público francês. É o dobro dos manifestantes que saíram às ruas terça-feira, no que pode se tornar o maior movimento contra medidas de enxugamento do Estado propostas pelo presidente Nicolas Sarkozy.
Passeatas idênticas ocorreram em Grenoble, Lyon e Toulouse. Na capital francesa, o cortejo deixou o jardim do Luxemburgo, no Quartier Latin, e se dissolveu diante do Ministério da Educação.
Pequenos incidentes e confrontos com a polícia foram provocados por jovens que desfilavam fora dos cordões de isolamento, com um saldo de quatro feridos leves e 25 detidos.
A UNL (União Nacional dos Secundaristas) teme que a diminuição do número de professores reduza as disciplinas optativas, sobretudo as de idiomas estrangeiros. Um dos líderes da entidade, Florien Lecoultre, disse que a rede oficial de ensino já perdeu 50 mil cargos nos últimos cinco anos e que há o risco de as classes terem mais de 35 alunos.
O ministro da área, Xavier Darcos, cita o fator demográfico, com hoje menos adolescentes que nas gerações passadas, para justificar a redução de docentes. Nos últimos três anos, as escolas secundárias francesas tiveram 145 mil matrículas a menos e devem perder novos 40 mil alunos no próximo ano letivo.
A mobilização vem sendo feita por meio de blogs em que os secundaristas discutem questões, trocam imagens e documentos e acertam a ida em conjunto às passeatas.
A inovação, relatada ontem pelo "Le Monde" e pelo "Le Figaro", favorece uma horizontalização do movimento secundarista, que, sem lideranças fortes, tende a ser mais dificilmente desmobilizado.
Sem demissões
O presidente Sarkozy sugere contratar 2 novos concursados para cada 3 que se aposentam no setor público. A educação, por ter o maior número de funcionários, teria suprimida a metade dos postos.
Para o governo conservador, também é preciso diminuir o déficit público (hoje em 4%), com o qual o país acumula uma sucessão de índices medíocres de crescimento.
Mas o problema está no fato de a França possuir alto espírito de mobilização entre secundaristas e professores.
Em 1984, o então presidente, o socialista François Mitterrand, foi obrigado a abandonar projeto de reforma do ensino elaborado pelo ministro Alain Savary, que, na prática, encampava pela rede pública as poucas escolas privadas mantidas por grupos católicos e outras entidades confessionais.
Os secundaristas tomaram as ruas francesas em protesto contra "ameaças à liberdade religiosa e de ensino". Em razão da crise, caiu o ministro Savary e, horas depois, o primeiro-ministro Pierre Mauroy.
Fonte: Folha de São Paulo
Publicado em 11/04/2008 |
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