GP compra 20% do grupo Estácio por
R$ 259 milhões

A GP Investimentos fechou a compra de 20% da Estácio Participações, grupo de educação de capital aberto com cerca de 200 mil alunos em 12 Estados e receita líquida de R$ 640 milhões em 2007.

O negócio, avaliado em R$ 259 milhões, marca a entrada do grupo de investimentos no setor de educação. "Há dois anos vínhamos procurando uma plataforma para investir", diz Eduardo Alcalay, sócio da GP. "É um setor com grande potencial de crescimento por conta da situação socioeconômica e demográfica do Brasil."

A participação foi comprada da família Cavalcanti, que ainda ficará com 55% do grupo. Os outros 25% estão no mercado.

A GP, por meio fundo GP Capital Partners IV, pagou R$ 16,50 por unit (que representa uma ação ordinária e duas preferenciais). O valor representa um prêmio de 15% em relação à cotação de fechamento na sexta-feira, de R$ 14,37, mas está 25% abaixo do preço da oferta inicial da empresa, em julho do ano passado

Apesar de minoritária, a GP vai compartilhar o controle, com direitos iguais no conselho de administração - serão quatro membros da gestora, quatro da família e dois independentes -, na escolha de executivos e na aprovação do orçamento.

Como parte do acordo, foi decidido levar a empresa ao Novo Mercado da Bovespa, com a transformação das ações atuais em ordinárias (com direito a voto). Atualmente, a Estácio está no Nível 2 de governança da bolsa.

Está prevista para hoje uma reunião do conselho para convocar uma assembléia para 4 de junho, na qual deverá ser eleito o novo conselho e aprovado o novo estatuto (com o acordo de acionistas que prevê o compartilhamento da gestão) e a conversão das ações.

"É um avanço extraordinário", diz João Rosas, diretor superintendente e de relações com os investidores da Estácio, referindo-se à ida ao Novo Mercado, segmento máximo de governança da bolsa. "Vínhamos trabalhando nesse sentido." Rosas foi contratado na época da abertura de capital, e tem passagens pela Vale do Rio Doce, ALL e Infoglobo.

O acordo vinha sendo negociado há três meses e o fato de a Estácio já ter passado por um processo de profissionalização foi um fator decisivo pra o fechamento do negócio.

"O setor é muito fragmentado, com várias entidades ainda sem fins lucrativos", diz Antonio Bonchristiano, co-presidente da GP. "A Estácio já está num estágio adiantado, o que permite o foco exclusivo no negócio." Ele ressalta como exemplo o ensino à distância, que teria um grande potencial de crescimento.

As aquisições - foram quatro desde a abertura de capital - continuam no radar, mas, segundo os executivos, há dois itens mais importantes na lista de prioridades. O primeiro é a gestão e controles internos, com ênfase na melhoria de margens de rentabilidade operacionais, que estão perto de 16%. Em seguida vem o crescimento orgânico.

"O crescimento é importante porque o custo fixo no setor é relevante", diz Bonchristiano. "Há espaço para utilizar melhor as escolas, com mais cursos e mais horários." E à medida que se cresce, lembra, pode-se negociar insumos com mais eficácia.

Ainda assim, os executivos sabem que os concorrentes estão nos calcanhares. O setor está em estado de agitação permanente, com 25 aquisições em 2007 e 13 neste ano. E o número de ativos de qualidade é limitado.

"A situação da Estácio é diferente", argumenta Rosas. "Já somos muito grandes." A segunda maior empresa de capital aberto setor é a Anhangüera, com receita de R$ 273,5 milhões em 2007. A empresa está em meio a um projeto de integração tecnológica de todas as unidades, que permitirá a centralização das principais funções administrativas no Rio. "Com isso, os gestores de cada unidade vão poder cuidar exclusivamente do negócio principal, o ensino", diz Bonchristiano.

Fonte: Valor Econômico
Publicado em 12/05/2008