Splice compra Centro Universitário Newton de Paiva em Minas Gerais

O grupo Splice, sediado em Sorocaba (SP), anunciou ontem a compra do controle do Centro Universitário Newton de Paiva, uma das maiores instituições privadas de ensino superior de Minas Gerais, sediada em Belo Horizonte e que conta com 12,5 mil alunos matriculados nos seus 28 cursos de graduação e pós-graduação. A operação faz parte dos planos do grupo de expandir seus negócios na área educacional, no qual atua desde os anos 1970 por meio da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), e que contempla, ainda, novas aquisições.

"Está em análise a compra de mais quatro universidades, localizadas no Centro-Oeste, em São Paulo e outro Estado da região Sudeste", disse o presidente da Splice, Antônio Roberto Beldi. O valor da transação, quitada com recursos próprios, não foi revelado, mas a compra da instituição mineira vai reforçar a área educacional do grupo, que tem negócios espalhados nos setores financeiro, imobiliário, de tecnologia e infra-estrutura.

A Newton de Paiva vai agregar R$ 100 milhões ao faturamento anual de R$ 16 milhões do ramo educacional, propiciado pela Facens, que tem hoje 1,5 mil alunos matriculados nos seus quatro cursos de engenharia (civil, elétrica, mecânica e computação). Com as novas aquisições planejadas, a expectativa é elevar as receitas atuais desse segmento para R$ 300 milhões no médio prazo.

As negociações para a compra da universidade mineira, que chegou a ser avaliada por outros 17 grupos, foram concluídas no sábado, segundo Newton de Paiva Ferreira Filho, um dos três irmãos que controlavam a instituição. Segundo ele, a decisão de vender a universidade, criada há 35 anos, foi tomada devido ao acúmulo de dívidas, a forte concorrência observada no setor, que nos últimos anos vivenciou uma onda de fusões e aquisições, e a falta de sucessores no âmbito da própria família. "Chegamos à conclusão que não tínhamos mais condições de permanecer no mercado", disse Ferreira.

Pelos planos da Splice, a Newton de Paiva manterá a sua marca no mercado e preservará a atual estrutura, que conta com 1,3 mil funcionários. O grupo também prepara um aporte de recursos para sanear a universidade. "Na próxima semana, a Newton de Paiva voltará a ser superavitária", afirmou Beldi.

O novo controlador também espera concluir, em breve, um plano de investimentos. Está em estudos a implantação de uma nova unidade da instituição, que conta hoje com cinco campi em Belo Horizonte, no interior de Minas Gerais ou na região norte de São Paulo. Também serão incluídos cursos de engenharia na grade da Newton de Paiva a partir de 2009.

Com a compra da Newton de Paiva, a Splice adquiriu também um acervo de obras de arte avaliado em cerca de R$ 5 milhões. São quadros e esculturas de Guignard e de alguns de seus principais alunos, entre eles Yara Tupinambá, que é também a curadora do acervo.

Desde a a venda do controle da TCO (operadora de celular na região Centro-Oeste), por cerca de R$ 1,5 bilhão, em 2003, e da NBT (concessionária da Banda B na região Norte), a Splice busca novas oportunidade de negócios. "Estamos capitalizados", afirmou o presidente da Splice.

Fonte: Valor Econômico
Publicado em 05/06/2008