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56º CONEG da UNE discute ensino superior
A União Nacional dos Estudantes realizou em Brasília, entre os dia 20 e 22 de junho, a 56ª edição do Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (CONEG), que reuniu cerca de trezentas lideranças estudantis na Universidade de Brasília, com o objetivo de definir as linhas de atuação da UNE para o próximo período.
A tenda do Centro Comunitário da UnB foi palco da abertura do Seminário de Educação, principal atividade desta edição do CONEG. A mesa intitulada "Repesar a universidade para mudar o Brasil" reuniu o reitor da UFBA, Naomar de Almeida, o titular da Secretaria de Educação Superior (SESU\MEC), Ronaldo Mota, o diretor de Políticas Educacionais da UNE, Rafael Chagas e a presidente da entidade, Lúcia Stumpf, para fomentar o debate sobre qual deve ser o papel da universidade diante da atual realidade.
Para o secretário de educação, Ronaldo Mota, "a ampliação, acesso, com qualidade de ensino, e democratização do ensino superior são os pontos fundamentais quando se entende a educação como principal ferramenta de inclusão social".
O reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Naomar de Almeida traçou um panorama da criação da universidade no Brasil. Segundo ele o ensino superior tem origem em um projeto de reforma universitária da década de 70, com currículo estreito, voltados à formação para o mercado de trabalho e que não valoriza interdisciplinaridade e a formação humanística.
"Penso que a Reforma Universitária deve necessariamente incluir a reforma da arquitetura curricular. Não é possível que instituições de ensino tenham apenas reformas administrativas ou institucionais para que sejam geridas. Como universidades somos fundamentalmente produtoras de conhecimento, então temos que radicalizar a Reforma Universitária nesse sentido: reestruturando os processos de formação", pontuou o Naomar de Almeida.
"Precisamos construir uma nova universidade, que sirva ao nosso povo. Que possa ser discutida de fora para dentro, com a participação da sociedade brasileira. Uma universidade que se construa a partir da realidade que vivemos hoje e reconheça que 50% da juventude brasileira não consegue chegar nem ao ensino médio", diagnosticou a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
CONTEE debate junto com os estudantes
Após o debate sobre a Reforma Universitária, os estudantes se dividiram em grupos de discussão para ampliar pontos importantes na reformulação do projeto de Reforma Universitária da UNE.
O grupo que debateu a regulamentação do ensino privado contou com a participação da advogada das entidades estudantis, Dra. Lia Carneiro, da Secretária Geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (CONTEE), Cristina Castro, e do diretor da UNE, Emival Dalat.
Segundo Cristina, o debate girou essencialmente em torno do modelo de nação desejada pelo povo brasileiro. A representante da CONTEE destacou os riscos da desnacionalização da educação para o desenvolvimento e a soberania do País, ressaltando a importância da regulamentação do setor privado, além da urgente necessidade de limitar a entrada de capital estrangeiro na educação superior. Cristina apresentou ainda aos estudantes os materiais da Campanha da CONTEE “Educação Não é Mercadoria”.
O professor José Thadeu de Almeida, secretário de Assuntos Educacionais da CONTEE também participou da atividade, prestigiando o debate sobre democracia, acesso e permanência, que teve ainda a presença do diretor da UBES, Gregório Gould, de representantes do DCE da Universidade de Caxias do Sul e do vice presidente da UNE, Tales Cassiano.
Plenária final define propostas da UNE
Após dois dias de intensa troca de idéias, o domingo foi reservado a plenária final, momento em que todos se reuniram para votar propostas, resoluções e moções sobre o que foi discutido durante o encontro.
Entre as resoluções aprovadas está a que definiu a data e local do próximo Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB) da UNE: 18 a 20 de janeiro de 2009, Salvador, na Bahia. Foram aprovadas também a plataforma eleitoral da UNE e a resolução educacional, que norteará o processo de construção do novo projeto de Reforma Universitária da entidade.
Além disso, os participantes do 56º OCNEG definiram as campanhas da UNE em relação a educação. Entre os pontos principais estão o fim da DRU com 10% do PIB para educação, contra a desnacionalização da educação e pela proibição do capital estrangeiro nas universidades brasileiras, paridade nas eleições para reitor e conselho, a aprovação do Projeto de Lei de mensalidades, conhecido como PL da UNE, com regulamentação do ensino privado, o fim das fundações de apoio nas instituições públicas, democratização das universidades com aprovação do PL de reserva de vagas, mais vagas nas federais e mais verbas parta assistência estudantil.
Com informações do Estudantenet
Publicado em 24/06/2008 |
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