Fruto da mercantilização: faculdade de SP fecha por falta de recursos

As Faculdades Associadas de São Paulo (Fasp), instituição tradicional e pioneira em graduação na área de tecnologia, com mais de 30 anos, vai fechar as portas nesta semana. Os atuais 420 alunos e os 78 professores serão avisados hoje da falta de recursos da faculdade para se manter. O número de estudantes caiu 60% nos últimos três anos. 

O fechamento da Fasp é mais um capítulo na atual crise do ensino superior brasileiro, que teve uma expansão de mais de 130% no número de instituições desde 1998. Hoje, há mais vagas do que candidatos dispostos a concorrer em processos seletivos. No ano passado, as Faculdades Tancredo Neves também encerraram as atividades, com cerca de 100 alunos. Outras instituições foram compradas por universidades maiores ou se fundiram. 

Doente e hospitalizado, o representante da mantenedora da faculdade, Nivaldo Rubens Trama, disse ao Estado que vai ajudar os alunos a se transferirem para outras instituições para que concluam seus cursos. A Fasp tem quatro cursos de graduação: Administração de Empresas com ênfase em Análise de Sistemas, Tecnologia em Informática, Ciências da Computação e Engenharia da Computação. Há ainda cursos de pós-graduação e MBAs. As mensalidades variam de R$ 600 a R$ 900.  "Fomos perdendo alunos pela concorrência predatória. Outras faculdades chegavam a distribuir panfletos dentro da Fasp, oferecendo desconto aos alunos que quisessem se transferir", diz Trama.

A instituição atualmente funciona em um prédio alugado na Avenida Paulista, para onde foi transferida em 2004 numa última tentativa de investimento. "Nossos professores ganhavam salários altos, não tínhamos como baixar mensalidades para poder conseguir alunos", afirma.  A Fasp surgiu em 1974 do antigo Colégio Ateneu Brasil - fundado pelos avós de Trama - e se fixou no bairro do Paraíso. Foi a primeira a apostar em cursos de tecnologia e se tornou referência na área. Chegou a ter 2.800 alunos na década de 80.

Assim como outras faculdades surgidas antes do anos 90, como Cásper Líbero e Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), focou seus poucos cursos numa determinada área de atuação. Hoje, a estratégia é outra: universidades e centros universitários oferecem graduação em quase todas as áreas.  "Era uma faculdade bem conceituada, mas quando não há uma atualização na gestão, fica difícil continuar no mercado hoje", diz o presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Semesp), Hermes Figueiredo.

Atualmente, 67% das cerca de 2 mil instituições de ensinos superior no Brasil têm até mil alunos. São essas, segundo Figueiredo, que têm enfrentado mais problemas. "Os custos fixos com salários, aluguel, luz, entre outros, são muito altos e é difícil manter isso tudo com poucos alunos."  Até amanhã, a Fasp deve comunicar ao MEC a decisão de encerrar as atividades. Segundo a Secretaria de ENSINO SUPERIOR do ministério, a instituição deve informar o governo do ocorrido e comprovar que não deixou pendências acadêmicas, como diplomação de concluintes e transferência de alunos.  

Fonte: O Estado de São Paulo, com título do Portal da CONTEE

Publicado em 26/06/2008