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Rede particular forma mais docentes
Mais de 70% dos professores aptos a lecionar no ensino básico do País se formaram em universidades privadas. Apenas em três áreas - Francês, Química e Física - há mais concluintes de instituições estaduais, federais ou municipais, segundo estudo feito pelo Ministério da Educação (MEC).
Os números refletem a realidade do mercado do ensino superior brasileiro, em que a maioria dos alunos freqüenta cursos particulares. Porém, em geral, as instituições privadas têm notas mais baixas do que as públicas nas avaliações oficiais. Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, o grande problema é que a maioria desses professores atua em escolas públicas, comprometendo a qualidade do ensino.
Hoje, 80% das funções docentes estão nas redes estaduais e municipais. Haddad tem declarado que o aumento do número de docentes formados em universidades públicas passou a ser seu principal objetivo. Para isso, lançou programas, como o polêmico Reuni, em que ofereceu mais verbas para universidades federais que aumentassem suas vagas em licenciaturas.
As instituições apresentaram projetos de expansão ao MEC. O aumento previsto será de 45%, segundo Dilvo Ristoff, diretor de Educação Básica Presencial da Capes/MEC e autor do estudo sobre a procedência dos professores. Hoje, há cerca de 49 mil vagas nas federais para formar docentes. Além disso, os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), que hoje formam profissionais em tecnologia, serão transformados em institutos e terão licenciaturas em Física, Química, Matemática e Biologia. Outras vagas serão abertas por meio da educação a distância.
Para o educador da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Artur Costa Neto, uma das diferenças entre a formação de instituições públicas e algumas confessionais é que elas mantiveram a duração de quatro anos nos cursos de licenciatura. "Em busca de mais alunos e de mais lucro, particulares formam em três anos, de maneira precária."
O vice-presidente da comissão de educação básica do Conselho Nacional da Educação, Mozart Ramos Neves, acredita que a ampliação das vagas não é suficiente. Estudos do próprio MEC mostram que 70% dos formados em licenciaturas no País não trabalham como professor. Cerca de 1,2 milhão se graduou nos últimos 25 anos e mesmo assim faltam professores. Em física, a demanda é de 56 mil professores e há 18 mil em exercício.
"Não adianta só ter gente bem formada, é preciso garantir salário condizente, valorizar o professor que vai para a sala de aula", completa Neves. Ele lembra ainda as altas taxas de evasão em cursos de formação de professores, que chegam a 60%.
"Eu gosto da sala de aula, mas muitos colegas optaram por seguir a carreira acadêmica por causa dos baixos salários oferecidos nas escolas", diz o professor de matemática e física da rede estadual Tomé Ferraz, de 50 anos, que se formou na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para ele, o fato de a instituição pública exigir quatro anos de estágio prepara melhor o professor para a sala de aula. Ferraz trabalha em quatro escolas públicas e ganha R$ 3 mil por mês.
Seu colega da rede estadual Roberto Cesar Maciel, de 29 anos, concluiu a licenciatura em História em 2006 na Fundação Santo André, instituição de ensino particular. Ele acredita que o curso lhe deu uma boa formação teórica, mas a didática, acabou aprendendo na prática. "O governo deveria investir mais na qualificação do professor, em cursos de reciclagem e formação".
Fonte: O Estado de São Paulo
Publicado em 10/07/2008 |
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