|
|
Enade 2007 revela que 67% das IES com piores resultados são privadas
Aqueles que lutam contra as nefastas conseqüências do processo de mercantilização do ensino no Brasil e que enfrentam dia-a-dia o descaso e a falta de compromisso com que os donos de muitas instituições privadas, que tratam a educação como mercadoria, não ficaram nem um pouco surpresos com os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – Enade 2007 – divulgados na ultima quarta-feira, dia 06/08, juntamente com o novo indicador avaliativo do ensino superior, o conceito preliminar dos cursos.
O que parece ter assustado muito gente e desagradado de maneira significativa os empresários do setor, que tentaram até o último minuto impedir a divulgação dos dados, foi mais uma prova do que os educadores, sindicalistas, estudantes tem ressaltado e do que a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – CONTEE tem alertado, incansavelmente, por meio da Campanha “Educação Não é Mercadoria”.
O caráter mercantil com que essas instituições de ensino conduzem e orientam sua atuação no setor educacional não poderia trazer outros resultados. Dos 3.237 cursos avaliados, 1.493 eram públicos e 1.744 privados. Entre os cursos que recebem conceitos 1 e 2 no Enade – e que, portanto, estarão sujeitos às sanções – 67,4% são oferecidos em instituições particulares. Já entre os que obtiveram conceito 5 (máximo) na avaliação, 94,4% são cursos públicos.
Veja alguns dados dos resultados do Enade 2007:
|
Público |
Privado |
|
Total |
% |
Total |
% |
Cursos avaliados |
1493 |
46,1 |
1744 |
53,9 |
Conceitos 1 e 2 |
234 |
32,6 |
483 |
67,4 |
Conceito 5 |
85 |
94,4 |
5 |
5,6 |
Todas as pesquisas, avaliações e dados divulgados recentemente não deixam dúvida. A expansão descontrolada do ensino privado, ocorrida nos anos 90 – durante o governo FHC, especialmente na gestão do ex-ministro da educação, Paulo Renato de Souza –, foi desastrosa para a qualidade da educação superior. Hoje os resultados estão aí, para quem quiser ver.
Entretanto, não há mais como recuperar o tempo, o dinheiro e a ilusão perdida de milhares e milhares de estudantes que ingressaram nestas instituições privadas de baixíssima qualidade, em busca do sonho do diploma de nível superior, e que foram enganados e não conquistaram a devida e prometida inserção social, em função da má formação recebida. Também não será possível apagar os anos de precarização das condições de trabalho dos professores do setor privado, a injustiças cometidas, a depreciação salarial, as demissões injustificadas, a falta de plano de carreira, de incentivo à formação continuada, entre outros.
Portanto, se não é possível restabelecer as perdas de estudantes e profissionais da educação atingidos pela irresponsabilidade de empresários inescrupulosos e pela imobilidade do poder publico, é preciso ao menos agir para que isso não se perpetue como padrão. Mais do que nunca, é urgente impedir que essa lógica perversa seja mantida.
A implementação completa do Sinaes – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – e a aplicação efetiva das sanções previstas aos que não comprovarem a devida qualidade para o exercício da atividade educacional são as únicas alternativas para iniciar a reversão – que não será fácil – desta triste realidade.
Educação pública também é avaliada
Os cursos de universidades federais que receberam conceitos 1 e 2 no Enade estarão sujeitos às mesmas medidas que serão tomadas para as instituições particulares. Foi o que garantiu o Secretário de Ensino Superior do MEC, Ronaldo Mota. “Somos mantedores e a nós cabe garantir que esses cursos tenham todas as condições para superar essas deficiências", disse. "Se forem necessários mais professores, cabe ao MEC prover. Se é necessário reformular biblioteca, cabe ao MEC fazer os esforços para que essa biblioteca seja reformulada." É bom lembrar que alguns cursos de graduação reprovados pertencem a instituições privadas que participam do ProUni, o que torna o Estado co-responsável pela qualidade de ensino oferecida aos estudantes.
Aplicação do exame
O Enade 2007 avaliou 3.237 cursos em 16 áreas de conhecimento. Os avaliados foram agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, tecnologia em radiologia, tecnologia em agroindústria, terapia ocupacional e zootecnia. Inscreveram-se 387.118 estudantes, dos quais 215.443 foram selecionados para realizar o exame. Com base no desempenho dos alunos, os cursos recebem conceitos de um a cinco.
Da Redação, com informações do MEC, O Globo, Folha e agência Brasil
Publicado em 08/08/08
|
|
|
|