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MEC reprova 24,8% dos cursos das universidades de São Paulo
Avaliação do Ministério da Educação (MEC) mostra que 24,8% (123) dos 495 cursos avaliados no estado de São Paulo não apresentam condições mínimas de ensino, com notas entre 1 e 2, as mais baixas da escala, que chega a 5. Os dados foram levantados a partir de novo conceito de pesquisa sobre as faculdades.( Conheça a avaliação em todo o país )
As instituições privadas receberam a pior avaliação: representam 93,8% dos cursos com nota 1 e 2, contra apenas 6,2% dos cursos de instituições públicas. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) obteve 6 notas máximas, o melhor resultado de uma instituição. A Universidade Paulista (Unip), particular, recebeu o maior número de notas baixas (26).
O pior resultado foi o do curso de Nutrição do campus Osasco, da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), que obteve a nota mínima, 1, no conceito preliminar. O resultado foi o pior do estado, compartilhado com Educação Física das Faculdades Esefap, em Tupã, a 524 quilômetros da capital.
Maiores interessados na melhoria do curso, os alunos de Nutrição de Osasco da Uniban concordam com a avaliação negativa e fizeram críticas. Temendo uma eventual represália da universidade, os alunos pediram para não serem identificados. Segundo a Uniban, o curso de Nutrição tem 215 alunos em Osasco.
- Na biblioteca, não há títulos de Nutrição e a Uniban não nos dá acesso à internet - diz uma aluna, que cursa o último ano de Nutrição.
Outro aluno, que trocou de universidade há um ano e meio, diz que a diferença entre a infra-estrutura da Uniban e da instituição anterior é grande.
- A grade curricular aqui também é muito fraca, com muitas matérias a menos - diz o aluno, que divide uma das classe do noturno com outros 48 alunos.
Os alunos dizem que a universidade mudou a grade curricular há alguns anos, diminuindo o número de matérias e horas de aula, e reduzindo o preço da mensalidade de mais de R$ 800 para os atuais R$ 534.
Em nota, a Uniban afirmou que seus alunos obtiveram, nos cursos analisados, desempenho acima do esperado, ao se comparar as notas do Enade com o IDD. Questionada, a universidade não se manifestou sobre o curso de Nutrição.
Estado de SP fica em 2º lugar no ranking
Apesar do grande número de cursos reprovados, São Paulo ficou em segundo lugar no ranking dos estados com o maior número de cursos que tiveram a nota máxima na avaliação do MEC: nove áreas, sendo oito delas de instituições públicas - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) - e uma privada (o Centro Universitário São Camilo).
Entre as instituições públicas, a Unesp foi a melhor colocada, com seis cursos com nota 5: Enfermagem (Botucatu), Odontologia (Araçatuba e Araraquara), Veterinária (Jaboticabal), Agronomia (Ilha Solteira) e Educação Física (Bauru).
Para Fernando Ramos Martins, coordenador do curso de Tecnologia de Radiologia do Centro Universitário São Camilo, único privado na lista dos cursos com nota 5, o bom resultado se deve ao fato de o curso ser formado por 70% de professores doutores e mestres.
Cursos podem ser fechados se não melhorarem
As instituições terão um mês para recorrer. Após esse período, os cursos serão inspecionados pelo MEC e terão de cumprir um protocolo de compromisso. Do contrário, podem ser fechados.
O superconceito - ou conceito preliminar, como vem sendo chamado - será usado como referência para a concessão ou renovação de licenças de funcionamento de cursos de ensino superior. Ele é calculado com base em seis indicadores: a nota no Enade; o IDD (comparação da nota do Enade de calouros e formandos); a opinião dos alunos sobre o projeto-pedagógico; a infra-estrutura; o percentual de professores doutores e o percentual de docentes que trabalham em regime integral ou parcial. O ano referência para o cálculo é 2007.
Segundo o ministro Fernando Haddad, a metodologia é um avanço no sistema de avaliação do Governo, pois reúne outros indicadores além do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que substituiu o Provão.
A nota de cada curso no Enade 2007 teve peso de 40% no conceito preliminar. Já o IDD, índice do Enade que compara o desempenho de calouros e formandos, revelando a contribuição específica da faculdade na formação dos alunos, vale outros 30%. Os 30% restantes são resultado da opinião dos estudantes sobre o projeto pedagógico e da infra-estrutura dos cursos, conforme questionários respondidos por quem participa do Enade; e da titulação e do regime de trabalho dos docentes. Segundo o MEC, o novo indicador vai impedir que cursos reprovados continuem funcionando sem tomar providências para melhorar a qualidade do ensino.
Fonte: O Globo Online
Publicado em 08/08/08 |
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