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Pesquisa da APEOESP revela que professores estão insatisfeitos com trabalho
Os 721 pesquisados avaliaram salas e material didático, entre outros itens.
Uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores Estaduais do Estado de São Paulo (Apeoesp) revela que 31,4% dos professores estão insatisfeitos com a profissão. Dos 721 ouvidos, 7,9% se disseram muito insatisfeitos. Entre os que gostam do trabalho, o percentual foi de 21,2%.
Os dados foram colhidos durante o congresso anual da categoria em dezembro de 2007. Eles mostram que o descontentamento passa pela questão da infra-estrutura das escolas. Dos profissionais ouvidos no evento, quase metade (42,7%) considerou as salas de aulas onde trabalham ruins. Para 20,4%, são péssimas e 34,1% responderam que acham as instalações boas.
Ainda sobre infra-estrutura, a pesquisa aponta que 34,8% dos professores disseram que na escola onde trabalham a biblioteca não funciona. Já 11,6% responderam que a sala de leitura na instituição onde lecionam existe, mas está fechada. Entre os que afirmaram que a biblioteca e a sala de leitura funcionam sem problemas, os percentuais foram, respectivamente, 50,4% e 19,1%.
Um dado mostra que, na opinião dos professores, a rede de ensino precisa se equipar melhor. Do total de 721 profissionais ouvidos no congresso, 47,8% disseram que no local onde trabalham a sala de informática não funciona. Na mesma pergunta, 34,1% responderam que o ambiente com os computadores está em uso e 12,8% revelaram que nas instituições de ensino onde atuam não há salas de informática.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação diz que “acredita ser positivo o dado de que 68,6% dos professores da rede estadual paulista estão satisfeitos”. Ainda segundo o governo estadual, “o dado sobre laboratórios de informática está ultrapassado”. A secretaria diz que equipou escolas com computadores, cerca de 15 mil deles foram comprados, e “abriu os laboratórios em tempo integral, com a presença de um monitor devidamente treinado durante todo o período de aulas”.
Material didático
Quanto ao material didático, 39,9% dos professores o consideraram bom. Com percentual parecido, 37,5% disseram que ele é ruim. Dos pesquisados, 18,8% acham os livros usados em sala de aula péssimos. Sobre esse ponto, a secretaria afirmou que, assim como em todas as escolas públicas, os materiais "são escolhidos e distribuídos pelo Ministério da Educação". O G1 não conseguiu contato com o Ministério na noite de quinta-feira (25) para tratar sobre o assunto.
No questionário que os educadores preencheram, ao todo, 65,4% responderam que discordam (18%) ou discordam plenamente (47,4%) de que a avaliação de desempenho de professores melhora a qualidade do ensino. Os que pensam o contrário somam 32,1%.
A maioria também respondeu ser contrária à idéia de que a avaliação de desempenho dos alunos melhora a qualidade do aprendizado: 57,2%. Os professores que vêem essa ligação positivamente representaram 38,6%.
Os organizadores do congresso perguntaram em quantas escolas os educadores trabalhavam e 55,1% deles disseram em apenas uma. Os profissionais que trabalham em duas instituições de ensino somam 32,2%. Já o percentual dos que ficam em 3 ou 4 escolas é de 11,6% e apenas 1% revelaram trabalhar em cinco ou mais lugares.
O questionário quis saber ainda sobre o número de turmas com cada educador. O maior percentual (29,1%) foi entre os que têm de 7 a 10 classes e o menor (8,2%), de 5 a 6. Um grupo de 8,5% revelou que dá aulas para 17 ou mais turmas.
Sem surpresa
Para o professor George Luis Batista de Freitas, que dá aulas para alunos da rede estadual em São Bernardo do Campo, no ABC, não foi surpresa saber que a categoria está insatisfeita e fez críticas. “O material didático que recebemos é ruim. Fora as condições de trabalho. Tive alunos do primeiro e segundo anos que não sabiam o que era absolutismo”, contou.
A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, também disse não ter ficado espantada em saber que parte da categoria está insatisfeita e pediu investimentos. “Os livros vêm muito compactados. O professor fica sem condições de trabalhar”, disse, referindo-se ao material didático.
A estrutura física das escolas também foi criticada. “As salas de aula não são preparadas. À medida que as turmas crescem elas são formadas. Não tem um ambiente saudável”, afirmou Izabel.
Fonte: CNTE
Publicado em 29/09/2008
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