Professores querem que PDE valorize categoria e a educação

Representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) debateram nesta terça (6/11) e quarta (7/11), as ações propostas pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Segundo a presidente da CNTE, Jussara Dutra, a categoria quer que a profissão de professor seja valorizada pelo plano para que a educação no Brasil possa melhorar.

Em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional AM, ela disse que os professores vão sugerir propostas de aperfeiçoamento do plano ao MEC. “Achamos que o plano pode dar mais potência à educação no Brasil. Pode-se constituir realmente num instrumento, desde que os recursos estejam disponíveis e nós possamos também ter, dentro do plano, a perspectiva da valorização profissional dos educadores brasileiros. E que nós tenhamos as metas claras, no sentido da inclusão e ampliação da oferta, especialmente,  na educação infantil, média, de jovens e adultos”.

Jussara afirmou que o objetivo do debate é pensar num plano estratégico de educação que permaneça, mesmo com as mudanças dos governos federal, estaduais e municipais. “Que ele possa ser uma referência para as ações de todos os entes federados nos próximos anos”, completou.

O  secretário executivo-adjunto do MEC, Francisco das Chagas,  disse, em entrevista ao programa, que o debate sobre o PDE será feito com  a sociedade, com as entidades e com os entes governamentais. “Esse seminário, por exemplo, é o terceiro de uma série. Nós fizemos um debate sobre o PDE com os tribunais de Contas de todos os estados. Fizemos um com o Ministério Público e agora estamos fazendo com os trabalhadores de educação vinculados a CNTE. Pretendemos fazer outras discussões”.

Chagas ainda disse que o MEC promoverá discussões sobre educação em todos os estados. “O PDE já está implementando várias ações e não há um prazo para o debate, porque nós estamos começando agora o processo de conferências estaduais de Educação. Serão 27 e no próximo ano a Conferência Nacional de Educação Básica”, concluiu.
 
Durante o encontro os professores também discutiram o piso salarial da categoria. Ao final do evento, os profissionais da educação entregaram ao MEC os pontos do PDE que eles acreditam que devem ser aperfeiçoados.

Só piso salarial não é suficiente 
De acordo com o MEC, mais de 50% dos professores da educação básica trabalham 40 horas semanais para ganhar menos de R$ 800 por mês. Em outubro, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou um projeto de lei que aumentava o salário dos professores com formação em nível médio para R$ 950. Segundo, a CNTE, “apesar de não ser o crescimento ideal”, com a proposta ficaria mais fácil chegar ao piso de R$ 1.050.

Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que, além do piso, é preciso aprovar diretrizes de carreira e criar um sistema público de formação do magistério. “O piso não é suficiente, é uma parte do que nós precisamos fazer para valorizar o magistério.”

Os profissionais da educação reivindicam também um plano de carreira, que está em tramitação no Congresso Nacional. Segundo Haddad, o projeto de lei ainda não evoluiu porque o Congresso deu prioridade ao debate sobre o piso.

Haddad acredita que a valorização dos profissionais da educação ajuda a melhorar a qualidade na educação básica brasileira, além dos demais programas que compõem o PDE, como alfabetização de jovens e adultos e educação profissional. Para Haddad, o PDE se resume em uma frase, “transformar a educação em um valor central”.

Fonte: Agência Brasil
Publicado em 07/11/2007