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MEC reprova a educação no Ceará
Nenhuma cidade do Ceará possui nota acima de cinco no indicador do MEC que avalia a qualidade de ensino. A questão faz parte da pauta da Conferência Estadual da Educação, que teve início nesta quarta (07/11) e que irá elaborar um plano decenal para o Estado.
Após uma série de reuniões preparatórias, o evento definirá os rumos da educação do Estado nos próximos dez anos. Como resultado da conferência, será elaborado um plano decenal, cuja aprovação depende da Assembléia Legislativa.
O desafio é grande. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador que avalia a qualidade de ensino no País, revelam que nenhum dos municípios cearenses atingiu a nota 5 nos anos iniciais do ensino fundamental, em uma escala de 0 a 10.
O Ceará obteve 3,2 como média, a mesma nota de Fortaleza. O bloco das cidades com o pior resultado é formado por Monsenhor Tabosa (1,7), Salitre(1,8), Ipu (2,2), Lavras da Mangabeira (2,2), Tamboril (2,2), Ipaumirim (2,3), Mauriti (2,3) e Umari (2,3). Entre os problemas enfrentados pelos gestores educacionais destes municípios, destacam-se os altos índices de analfabetismo, a baixa escolaridade dos pais e a falta de infra-estrutura adequada.
Esse foi o quadro com que Fátima Chagas, diretora de educação do município de Tamboril, distante 329 quilômetros da Capital, deparou-se ao assumir o cargo, em 2005. Segundo ela, cerca de 42% dos alunos matriculados na 8ª série eram analfabetos. Mesmo assim, a aprovação era automática, sem qualquer controle. Em algumas escolas, afirma, os alunos chegavam a ter 120% de presença, ou seja, tinham mais presenças que o número de aulas no ano. "Quando assumimos, não havia reprovação nem abandono no município. Os alunos passavam de modo automático. A repetência e a evasão aumentaram porque passamos a ter um controle maior sobre os dados. O número de matrículas, que era de 11 mil em 2006, caiu para 8,5 mil, em 2007. Os alunos eram transferidos, mas as escolas não davam baixa", explica a diretora.
Para tentar mudar a situação, Fátima revela que foram criados dois programas de alfabetização, um para os alunos que chegam ao ensino fundamental e outro para os alunos que estão prestes a concluir. O resultado, afirma, será conhecido depois na próxima edição da Prova Brasil.
O secretário de educação do município, Gilson Luiz, afirma que, além do grande número de alunos analfabetos, Tamboril enfrenta outros desafios, como a baixa instrução dos pais e a má formação dos professores. "O município é pobre, os pais têm baixa instrução. Isso pode ter contribuído, mas falta ainda um diagnóstico sobre os alunos. Ainda funcionam escolas em situação precária. Ainda há professores dando aulas para várias séries em um local só", informa.
A educação no Ceará - Por dia, mais de 1,1 mil alunos do ensino médio e fundamental abandonam os estudos em todo o Estado. Em quatro anos (2001-2005), as taxas de aprovação caíram de 82,1% (fundamental) e 80,9% (médio) para 79% e 72,5%, respectivamente. Entre 2001 e 2006, 692 escolas da rede privada de ensino fecharam suas portas. Na rede pública de ensino, a queda no número de matrículas foi de 2,2%, entre os anos de 2005 e 2006. A maior diminuição foi registrada na educação infantil (-7,2%). 1,6 milhão de cearenses não sabe ler nem escrever. 4,8 mil alunos estão matriculados em escolas indígenas. Fontes: Censo Escolar, Pnad 2006 e Anuário Estatístico do Ceará.
Fonte: O Povo – Fortaleza/CE
Publicado em 07/11/2007 |
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