Abstenção no Enade atingiu 15,5% dos inscritos

A abstenção no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) atingiu 15,5% dos inscritos, divulgou o Ministério da Educação. Dos 240.042 universitários de todo Brasil inscritos para fazer o teste ontem (11), 202.726 compareceram aos locais de prova e 37.316 faltaram.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entre os cursos avaliados, medicina apresentou a menor proporção de faltosos (5,7%). Tecnologia em agroindústria apresentou o maior índice (27,1%).

Órgão do ministério responsável por organizar o Enade, o Inep informou que as provas, realizadas no dia 11/11, transcorreram sem incidentes. Em Belém (PA), um grupo de alunos chegou a ocupar uma escola, mas o fato, segundo o Inep, foi contornado e não prejudicou o andamento das provas.

Os interessados podem ter acesso às provas e aos gabaritos na página eletrônica www.inep.gov.br. Os testes foram compostos de 10 questões válidas para todos os cursos e 30 questões específicas de cada área. Nas duas partes, as questões foram tanto de múltipla escolha como discursivas, com situações problema e estudos de casos.

O Enade de 2007 avaliou 3.454 cursos nas áreas de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, técnico em agroindústria, técnico em radiologia, terapia ocupacional e zootecnia.

Segundo o Ministério da Educação, o objetivo do Enade não é avaliar nem punir os alunos, mas verificar a qualidade das instituições de ensino. De acordo com o governo, o desempenho da universidade está relacionado à aceitação do diploma universitário no mercado de trabalho.

UNE protesta e exige implementação completa do SINAES
Insatisfeita com a ausência de outros mecanismos para mensurar a qualidade do ensino, a UNE fez campanha pelo boicote à prova.

A inciativa de "zerar" a prova também protesta pelo fim da obrigatoriedade do exame e repudia o vínculo da sua realização com a emissão do diploma, prática utilizada, principalmente, por algumas universidades particulares.

“São necessários outros instrumentos para se poder dizer por que o estudante não está saindo bem preparado de seu curso. Se é por falta de infra-estrutura, de professores qualificados ou outra razão”, defendeu a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

A presidente da UNE sugere que sejam feitos levantamentos internos a partir da formação de um comitê envolvendo estudantes, professores, mantenedores e outros segmentos envolvidos. Por outro lado, acha que uma avaliação “externa” complementaria o trabalho ao captar, por exemplo, a visão de entidades sindicais.

Lúcia Stumpf acha que a prova "imposta aos estudantes" gera um "falso ranqueamento" das universidades. “A maioria das instituições acaba utilizando o resultado do Enade para fazer propaganda de seus cursos no mercado”.

Fonte: Agência Brasil e UNE
Publicado em 13/11/2007