I Fórum Regional dos Professores do SESI aprova a Carta de Campinas

Publicado em 08/07/2010

Campinas recebeu no dia 12 de junho, o I Fórum Regional dos Professores do Sesi com o tema "Escola de tempo Integral - desafios e perspectivas" promovido pelos Sindicatos dos Professores de Campinas e Região,  Guapira, Valinhos e Vinhedo, com o apoio dos Sinpros Jaú e Vales, o evento produziu a Carta de Campinas, que será amplamente divulgada para fomentar o debate sobre as questões referentes ao Tempo Integral, e que será enviada ao Sesi.

Carta de Campinas - 12 de junho de 2010

Professores e professoras da região de Campinas, alunos e alunas de Pedagogia, diretores e diretoras dos sindicatos: Sinpro Campinas e Região, Sinpro Valinhos e Vinhedo, Sinpro Guapira, Sinpro Vales e Sinpro Jau, presentes no I Fórum de Escola de Tempo Integral dos Professores do SESI, após intensa reflexão, elaboraram este documento que será amplamente divulgado para fomentar o debate sobre a importante temática discutida durante o evento, bem como encaminhado ao SESI.

Considerando que:

• a formulação de propostas de escolas de tempo integral gerou, nas últimas décadas, um intenso debate e a possibilidade de se tornar uma política de Estado a partir das resoluções da Conae 2010 e do próximo Plano Nacional de Educação;

• no Brasil, a permanência dos alunos na escola é uma das menores do mundo, ficando entre 03 e 04 horas diárias;

• é preciso diferenciar os conceitos de educação integral e educação "em tempo integral", uma vez que este último vem sendo, geralmente, tratado puramente como a ampliação do tempo em que a criança ou o adolescente permanece na escola;

• a implementação de propostas de mudanças na educação deve partir do envolvimento dos agentes do processo, pais, comunidade e especialmente dos professores;

• a Educação integral deve ser tratada como desenvolvimento do educando em sua integralidade, envolvendo todas as dimensões, com uma formação mais completa ao ser humano, em que se incluam os conhecimentos gerais, a cultura, as artes, a saúde, os esportes e o trabalho;

• que o papel e o trabalho do professor sofrem mudanças a partir da implantação da escola de tempo integral;

• as tensões e dificuldades geradas com a implantação de modelos em que o professor se vê mais uma vez afetado pelo aumento de suas responsabilidades e, ao mesmo tempo, com a precariedade das condições de trabalho; a intensificação do trabalho; a desvalorização profissional e a degradação do status da profissão;

• a inexistência de um plano de carreira do professor, que defina sua jornada e funções e que lhe dê garantia de trabalho e emprego;

propomos que:

• as crianças e adolescentes sejam tratados como sujeitos que   possuem uma singularidade própria, com o direito de acesso aos bens culturais;
• as relações no ambiente escolar sejam repensadas e reformuladas, o que implica esforço e desejo coletivo, principalmente daqueles que detêm posições de poder na instituição;
• cada segmento tenha voz própria e um canal de expressão de suas necessidades, opiniões e sugestões sobre a forma de organização do espaço escolar comum a todos, tendo em vista que a democracia vai além das condições adequadas, tanto físicas como organizacionais;
• os dispositivos institucionais já existentes (conselhos, grêmios, reuniões de planejamento e reuniões com os pais) sejam efetivados;
• que o ambiente escolar tenha infra-estrutura adequada,  compatível com as necessidades pedagógicas;
• a escola aponte para a formação de sujeitos críticos, autônomos e com as competências necessárias para participar coletivamente em uma sociedade democrática;
• haja um processo de formação continuada do corpo docente na própria jornada de trabalho do professor;
• a escola de tempo integral não implique necessariamente o professor de tempo integral, tal como acontece em vários lócus de sua implantação, como a rede SESI; e que não provoque o desemprego da categoria;
• que cada um de nós acompanhe e se organize no ambiente coletivo –local de trabalho, sindicatos, federação e confederação - para que o novo Plano Nacional de Educação possa efetivar a escola de Tempo Integral como uma política de Estado e que se garanta o aumento das verbas públicas para a educação.

Considerações finais

Como um projeto ainda em implantação, a Escola de Tempo Integral tem sido alvo de ataques e elogios, pois a adequação dos seus compromissos e orientações está sujeita a cada realidade escolar e social. Trata-se de um projeto que implica um compromisso com a educação especialmente a pública, que se engaje politicamente numa perspectiva de desenvolvimento de uma escola que cumpra com sua função de socializar as novas gerações, permitindo-lhes o acesso aos conhecimentos historicamente acumulados, contextualizando-os e contribuindo para sua ampliação, de modo a propiciar às crianças e jovens conhecer o mundo em que vivem e compreender as suas contradições para a sua apropriação e transformação.

Fundamental se torna qualificar a discussão sobre a Escola de Tempo Integral e entender que a concepção de educação integral deva fundamentar sua execução, seja na ampliação da jornada escolar, seja na articulação da escola com outros espaços públicos de aprendizagens. A educação integral precisa ser compreendida para além do direito à aprendizagem, para “além do capital”, como uma ampliação de oportunidades e situações que promovam aprendizagens significativas e emancipadoras e que tratem o professor e a professora como trabalhadores inseridos num mundo que aponta a cada dia a necessidade de um desenvolvimento nacional que contribua para sua transformação rumo a uma sociedade mais justa e mais igualitária.

Fonte: Sinpro Campinas


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