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Sinpro/ES: Eles estão na Faculdade. Mas não sabem escrever.
A matéria entitulada "Eles estão na faculdade. Mas não sabem escrever", publicada na edição de hoje (18/12), pelo Jornal A Gazeta, traz uma minientrevista com a professora Sandra Medeiros (da UFES), revelando que muitos alunos apresentam dificuldades com a língua portuguesa.
Segundo a professora, o problema é geral e vai desde o não saber separar sílabas, conjugar verbos, e falta de coesão, e de coerência textual, o que indica, que muitos universitários não sabem escrever um texto simples.
Entre outras coisas, Sandra Medeiros ressalta que eles são assim, porque não foram cobrados desde a primeira série do Ensino Fundamental e que é indispensável ler livros de bons autores, jornais, revistas, folhetos, etc.
Os culpados por esse desastre? Podem ser a escola ou o professor, mas a responsabilidade também deve ser estender aos pais de alunos, que nem sempre têm tempo para acompanhar o desempenho dos filhos.
No caso dos universitários, ela afirma que eles costumam ficar reprovados por não saberem escrever e que os maus alunos interferem e se beneficiam dos bons alunos: são favorecidos pelos trabalhos em grupo.
O problema se repete nas faculdades particulares
Além de atrapalhar a vida acadêmica, os erros de português prejudicam os candidatos na hora de conseguir uma colocação no mercado de trabalho.
Duas faculdades de Vitória e Vila Velha já oferecem apoio pedagógico nas disciplinas (normalmente física, química, matemática e português) em que os alunos têm mais dificuldade. Outra tem intenção de criar curso de Oficina de Leitura e produção de texto.
Para prevenir esses problemas, uma escola particular de Ensinos Fundamental e Médio também oferece esse tipo de apoio para os alunos.
E não é só isso: os erros ortográficos também atrapalham na hora de conseguir um emprego. Nas áreas de coordenação ou de atendimento ao público, por exemplo, as empresas de seleção reprovam os candidatos que não sabem escrever bem. Quando a vaga é de nível médio, elas avaliam a gravidade do problema, mas quando a vaga é de curso superior, o candidato deve apresentar um português perfeito.
O que diz o Sindicato dos Professores (SINPRO/ES)
O professor e diretor do Sinpro, Heron Miranda, discorda da professora Sandra quando ela aponta os presponsáveis pelos problemas acima citados. Segundo Heron, não dá pra colocar a culpa em apenas três agentes, porque esses problemas são gerados por um conjunto de coisas.
Heron afirma que, no Brasil, os conteúdos ensinados são ruins e pouco reflexivos. "São mais decoreba. Quem lê pouco, lê mau. Devemos priorizar conteúdos mais reflexivos que exigem mais habilidades de estudo. É ruim para os alunos trabalharem com regras prontas. É preciso ler e entender o que os textos significam. A gente aprende a pensar e a organizar o pensamento. Os estudantes têm que se habituar a pensar e os conteúdos têm que ser aplicados para compreensão e aplicação na vida. Você ensina conteúdo básico para todo o Brasil, sem respeitar a diversidade regional. Desta forma, quando passa a ensinar informações globais, os alunos não entendem o que acontece".
A proposta do SINPRO/ES
Para ajudar a resolver o problema, o Sinpro/ES defende:
* uma política de formação e capacitação continuada dos docentes;
* repensar a estrutura das escolas: pensar a escola como formação de sujeitos e não como formação de mão-de-obra;
* repensar o que se ensina: a questão do conteúdo que é ministrado nas escolas.
O que o Sinpro/ES já faz
Trabalha em duas linhas de atividades formativas:
* através da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) obriga as instituições educacionais a investirem em Cursos de Formação e Capacitação dos professores;
* oferece cursos de formação político-pedagógica para professores, através da Escola do Professor. Saiba mais sobre essa Escola no endereço http://www.sinpro-es.org.br/main.asp?link=indep&id=37
Fonte: Sinpro/ES
Publicado em 18/12/2007 |
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