Sintep-Maceió: Trabalhadores das faculdades de Maceió ameaçam paralisação

Publicado em 19/11/2010

Nesta quarta-feira, 17, eles iniciam uma série de atos públicos, nos quais manifestam insatisfação com os rumos da negociação coletiva de 2010

Os trabalhadores dos Estabelecimentos de Ensino Privado de Maceió podem paralisar suas atividades, deixando sem atividades administrativas escolas e faculdades da rede particular. Mobilizados pelo Sindicato da categoria, esses trabalhadores acusam o patronato de pretender diminuir seus salários. “Os patrões não querem respeitar o índice inflacionário no reajuste de nossa categoria em 2010. Isso significa que nossos salários ficarão menores que em 2009” – denuncia o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Ensino Privado (Sintep), Robson Câmara.

Nesta quarta-feira, 17, eles iniciam uma série de atos públicos, nos quais manifestam insatisfação com os rumos da negociação coletiva de 2010. A primeira manifestação será na Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), no bairro de Cruz das Almas, a partir das 7h. Em nota distribuída aos trabalhadores de escolas e faculdades, o Sindicato diz que no ano passado a categoria teve perda salarial.

De acordo com a nota, “nos cinco anos anteriores a 2009, nosso salário foi reajustado unicamente pelo INPC (7,41%; em 2004; 5,91% em 2005; 4,86% em 2006; 3,12% em 2007; e 4,86% em 2008)”. Diante dessa realidade, acrescenta o presidente, a categoria teve os salários corrigidos apenas pela inflação o que resultou em perda salarial.

Este ano, o índice oficial de inflação, o INPC, foi de 6,25%. “Nas negociações com o sindicato, os donos de escolas e faculdades ofereceram apenas 4%. Com isso, nossos salários ficam reduzidos em 2,25%” – declara Robson Câmara. Segundo ele, deste fevereiro último que o Sintep tenta fechar um acordo com o patronato. A proposta dos trabalhadores para a atualização de seus salários foi um aumento de 10%.

De forma desrespeitosa, os patrões fizeram uma contra-proposta de 1%. “Propusemos que fosse respeitado o percentual de inflação do INPC (4,77%) com um acréscimo de 1,5%, perfazendo um total de 6,27%. O problema é que o Sindicato dos patrões, o SINEPE Superior, está inflexível e ofereceu apenas 3%” – reclama o dirigente sindical.

Convocando os trabalhadores do estabelecimentos particulares de ensino a se unirem em defesa de seus direitos, Robson Câmara ressalta que um aumento de apenas 3% representa perda de 1,77% nos salários atuais, ou seja, pela segunda vez é imposta redução de salários à categoria.

Segundo ele, somente em Alagoas a negociação com o patronato chegou a essa situação desrespeitosa. Na nota que distribuiu com seus associados, o Sintep diz que na maioria dos estados foi negociado aumento salarial acima da inflação. Apenas uma minoria obteve o INPC (4,77%), repondo a perda inflacionária.

As Instituições de Ensino Superior tem investido muito na ampliação do seu patrimônio físico, esquecendo dos trabalhadores, que são importantes para o crescimento das Instituições. Por isso é necessário um salário justo e um reajuste sem perdas – acrescenta a nota da entidade sindical. “Exigimos reposição e ganho real” – declara Robson Câmara.

As Instituições de Ensino Superior (IES) são hoje, no Brasil, o terceiro ramo de maior lucratividade. Na luta para não ter os salários reduzidos, os trabalhadores dessas instituições farão uma série de atos públicos ao longo deste mês, podendo culminar numa greve geral antes do encerramento do ano letivo.

Nessa luta, os trabalhadores buscam o apoio dos alunos, a quem distribuíram uma nota explicando as razões da mobilização. Eles foram convidados a conhecer a realidade da faculdade ou escola onde estudam, principalmente daqueles que trabalham para a excelência dos cursos que fazem.

O Sintep já recebeu o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino – CONTEE. Para essa entidade, a reivindicação dos trabalhadores é justa e busca garantir um salário digno e o respeito à categoria. Para a Confederação, “a postura do patronato mostra a gana dos donos de estabelecimentos de ensino superior pelo lucro máximo, sem qualquer compromisso com a qualidade do ensino ofertado e com a valorização profissional dos trabalhadores. Uma visão meramente mercantilista”.

Fonte: Maceió Agora