Feete-Sul: Conjuntura nacional e desafios do movimento para 2011 em pauta no 24º CONSIND
Publicado em 24/11/2010
Ao final de um ano e também às portas de novos governos, ou, da continuidade de projetos ou novos governantes, cabe ao movimento sindical analisar a conjuntura na qual terá que agir, em prol dos trabalhadores. Foi o que propôs a 24º Conselho Sindical (CONSIND) da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado do RS (Fetee-Sul). O evento aconteceu neste sábado (20), em Porto Alegre e o Sinpro-Noroeste participou com uma delegação de nove professores.
O evento teve dois momentos em sua programação com o intuito de também possibilitar aos sindicalistas uma reflexão sobre o cenário econômico, político e de desenvolvimento de nosso país. Os turnos da manhã e da tarde foram reservados para análises do desenvolvimento brasileiro e os desafios ao movimento sindical, com participação de representantes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (DIEESE), da Federação dos Professores do Estado de SP (Fepesp) e da CUT Nacional. Ao final do dia, foi realizado o Conselho propriamente dito, tendo como pauta principal a campanha salarial e negociação coletiva a ser desenvolvida pela Fetee-Sul e sindicatos em 2011.
Os representantes do Sinpro-Noroeste no Consind foram: José Dalmo de Souza, João Frantz, Maria Aparecida Zasso, Carlos Frederico de Oliveira Cunha, Sônia da Costa Fengler, Claudete Drews, Claudio Trindade, Valdir Graniel Kinn e Gilmar Poli.
O cenário
Conforme relata o Secretário de Formação do Sinpro-Noroeste professor Cláudio Trindade, o seminário de formação foi de muita valia para apresentar as justificativas e bases das reivindicações do movimento sindical para o próximo ano. O professor destacou a palestra do Diretor Nacional do DIEESE Clemente Ganz Lúcio. Ao falar dos Cenários do Desenvolvimento Brasileiro, Lúcio fez uma retomada do crescimento do país nos últimos oito anos. O destaque foi para a mudança de foco sobre como gerar desenvolvimento e a partir do que. “Ele lembrou a postura que o Presidente Lula teve na crise de 2008, por exemplo. Enquanto todos se encolhiam, no Brasil se estimulou o mercado interno e fomos o país que menos sentiu a crise. Em síntese, isso dá mostras da estabilidade do país atualmente, de como se cresceu no último período e do potencial que temos. No entanto, o palestrante encerrou sua fala com questionamentos do tipo ‘será que o país teria condições de proporcionar o crescimento para todos?”.
O painel da tarde foi sobre os desafios para o movimento sindical, com a participação do Secretário Geral da CUT Nacional Quintino Severo e do Coordenador da FEPESP Celso Napolitano. Para Trindade, a programação possibilitou uma visão geral do Brasil. “Contribuiu para pensar, a partir desta estabilidade, como podemos retomar a escola privada. Vemos que, em linhas gerais, o setor do Ensino Privado vai muito bem. Ainda assim, sabemos que algumas questões locais/regionais podem fazer um contraponto a este cenário”, avalia o diretor sindical.
O movimento
A Negociação Coletiva e a Campanha Salarial do próximo ano foram as pautas do 24º CONSIND, debatidas com a participação dos palestrantes Ecléia Conforto (Economista do DIEESE Regional Sul) e Fernando Waschburger (Publicitário).
A economista fez uma rápida explanação do estudo sobre a conjuntura econômica nos últimos dez anos e a projeção para o próximo período. Como destaca o Coordenador Geral do Sinpro-Noroeste professor João Frantz, todos os dados e correlações apontam para a possibilidade de aumento real dos salários dos professores no próximo ano. “Não chegamos ao percentual exato que será reivindicado na campanha salarial, mas os dados do estudo comprovam que é totalmente possível o ajuste real, partindo do INPC medido neste ano. A plenária entendeu e consentiu com esta proposição”, destaca Frantz, ao relacionar o crescimento acima da inflação que tiveram os diversos segmentos e fatores que influenciam na Educação Privada, como o PIB, a Formação Bruta do Capital Fixo, o consumo das famílias, a ocupação, o rendimento médio real e a massa salarial. Conforme destaca o Coordenador do Sinpro-Noroeste, há uma defasagem dos salários. “Os dados apresentados no estudo são bem claros. O emprego na Educação Privada cresceu 4,8%, as matrículas aumentaram 1,46% na Ed. Básica e 0,22% no Ensino Superior. Quando pensamos na comparação do reajuste das mensalidades com o dos salários, são mais de 25% a mais de ajustes pró mensalidades”, detalha Frantz, adiantando alguns dos argumentos a serem apresentados na negociação coletiva.
O publicitário Fernando Waschburger apresentou os modelos iniciais das peças e o mote da campanha a ser realizada no início do ano que vem. Todo o trabalho será realizado em torno do termo ‘ajuste real’. “Além do ajuste, que será nossa principal bandeira, não deixaremos de lado outras grandes reivindicações que vêm sendo feitas nos últimos anos, como as cláusulas relacionadas a saúde do trabalhador , a remuneração de hora-atividade para professores da Educação Básica e, ainda, a necessidade urgente de regulamentação para o ensino na modalidade a distância”, destacou Frantz, lembrando que, mais uma vez, a Campanha Salarial será conjunta com o os sindicatos de técnicos administrativos. Após o CONSIND, foi realizado jantar festivo em comemoração aos 25 anos da Fetee-Sul.
Fonte: da redação com informações do Sinpro-Noroeste