Internacional da Educação realiza Conferência Internacional da Mulher

Publicado em 04/02/2011

Mais de 300 mulheres de organizações sindicais de todo o mundo, filiadas a Internacional da Educação, se encontraram na Tailândia na primeira Conferência Mundial da Mulher da Internacional da Educação. O objetivo do encontro era construir uma rede global de trabalhadoras da educação e socializar as experiências das redes regionais e o trabalho pela participação das mulheres nas organizações sindicais como medida para alcançar uma igualdade com perspectiva de gênero e melhorar as condições de vida das mulheres. A Contee foi representada na Conferência por Nara Teixeira, diretora de gênero e etnia da entidade.

A Conferência foi uma oportunidade para elevar o progresso realizado e, também, uma oportunidade para reconhecer o que os sindicatos têm feito no âmbito da luta pelo direito das mulheres. As participantes examinaram o que mais pode ser feito para fomentar a participação das mulheres a partir de suas realidades. Criou-se um rede global que promova ativamente os direitos das mulheres e a igualdade de gênero baseada em redes regionais já existentes dentro da Internacional da Educação.

Temas chaves foram discutidos nos três dias da Conferência: uma análise da situação da mulher no mundo, como dar mais poder às mulheres e crianças através da educação, e como elaborar um plano de ação para avançar na luta pela igualdade de gênero.

Participaram da Conferência o ministro da Educação da Tailândia, Chinnaworn Bunyakiat, a Diretora para a Igualdade de Gênero da UNESCO, Saniye Gülser, a especialista da Iniciativa das Nações Unidas para a Educação de meninas (UNGEI), Maki Hayashikawa, e a Presidenta da Internacional da Educação, Susan Hopgood.

Uma expressiva delegação da América Latina esteve presente na Conferência Mundial como Stella Maldonado, secretária geral da CTERA, filiada argentina da Internacional da Educação, e a brasileira Fátima Da Silva, vice-presidente do Comitê Regional da Internacional da Educação para a América Latina.

A presidenta da IE, Susan Hopgood, destacou em sua intervenção na abertura do evento as medidas mais importantes que contribuíram para melhorar a condição jurídica e social da mulher e destacou que “estamos em uma posição de provocar mudanças, de alcançar uma transformação”, e acrescentou que “estamos na área correta de trabalho: a educação; e estamos no marco organizativo correto: os sindicatos. Nossa missão é lutar pela qualidade de nossos sistemas educativo – na política e na prática, pela força de nossos sindicatos, e pela justiça de gênero dentro de uma educação para todos”.

Fátima Da Silva, da CNTE, abordou o tema “Mulheres, poder e política”. Em sua exposição ela salientou a importância da mulher desempenhar cada vez maior protagonismo na política e citou como exemplo a recente eleição de Dilma Rousseff para a presidência do Brasil.

A rede de trabalhadoras em educação da IE para a América Latina reafirmou a necessidade de se trabalhar a questão da igualdade real da participação da mulher na política e também no interior dos sindicatos. “A participação das mulheres de forma ativa em cargos de representação estimula a democratização das organizações”, explicou a Rede em seu documento - Estratégia para a Igualdade com perspectiva de gênero - publicado pela Oficina Regional da IE para a América Latina.

A secretária geral adjunta da Internacional da Educação, Jan Eastman, apresentou as conclusões sobre o estudo da IE a respeito da condição jurídica e social da mulher nos sindicados de educação. O estudo será apresentado no próximo Congresso Mundial, em julho. Eastman realçou a correlação entre o alcance do marco legal e a presença de políticas sindicais sobre igualdade de gênero, destacando que há uma grande brecha entre o marco legal e a efetivação de políticas de gênero, incluindo o desequilíbrio entre as lideranças femininas e a sua presença na base, que representam entrem 50% a 80%..

Para a presidente da IE, Susan Hopgood, “a educação é um dos meios mais importantes para romper com o ciclo de pobreza e discriminação. Não há ferramenta mais efetiva que a educação das meninas e mulheres para o desenvolvimento humano.”

Todos concordaram que os sindicatos podem fazer mais e que nesse caminho é fundamental incluir os homens nesta luta. Tradição, religião e cultura foram citados frequentemente como os principais obstáculos à igualdade de gênero. Também foi ressaltado o papel da família para não perpetuar estereótipos de gênero no ambiente doméstico.

Fonte: IF