Sinpro/Campinas: professores da Educação Básica rejeitam proposta de reajuste e denunciam descaso

Os professores da Educação Básica das escolas privadas de Campinas e Região rejeitaram por unanimidade neste sábado, dia 15, a proposta de reajuste feita pelos patrões dentro da campanha salarial 2008. A decisão acompanhou a definição da grande maioria dos sindicatos do Estado de São Paulo, onde existem, segundo dados do Censo 2006 do Inep/MEC, 136,5 mil professores na rede privada de ensino. A Assembléia também autorizou a Diretoria do Sinpro Campinas a solicitar a instauração de dissídio na Justiça do Trabalho, caso as negociações não avancem.

Os professores do Ensino Superior também realizaram assembléia no sábado e mostraram-se indignados com a ausência de proposta e com a tática usada pelos patrões de empurrar as negociações indefinidamente. O sindicato patronal tenta ao longo de toda a campanha salarial desregulamentar a Educação Superior e não apresenta qualquer proposta de reajuste.

Campanha 
Desde a entrega da pauta de reivindicações dos professores da Educação Básica em janeiro deste ano, os Sindicatos dos Professores (Sinpros) e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp) tiveram cerca de seis rodadas de negociação sem que os patrões avançassem nas propostas.

Os professores de todo o Estado de São Paulo pedem que, a partir de 1º de março, data base da categoria, os salários sejam reajustados pela média dos índices de inflação entre março de 2007 a fevereiro de 2008, e que ficou em 4,66%, além de um aumento real de mais meia inflação, chegando próximo de 7% de reajuste. O Sieeesp oferece a média da inflação e um aumento real de 0,5%. “A gente sabe que as mensalidades escolares é que puxaram a inflação de fevereiro para cima. Há escolas que reajustaram suas mensalidades em até 10%. Em contrapartida o trabalho do professor tem aumentado muito nos últimos anos em razão das novas tecnologias,  que o obrigam a trabalhar em casa elaborando relatórios, corrigindo trabalhos e repassando notas via internet sem ser remunerado para isso”, critica Reginaldo Alberto Meloni.

Visibilidade
Na assembléia de sábado os professores da Educação Básica e do Ensino Superior decidiram também tornar pública a ganância dos patrões e o descaso com questões que comprometem a qualidade da educação. O objetivo da campanha será sensibilizar a sociedade para a luta dos professores mostrando que quem perde com as salas superlotadas, professores mal remunerados e com o prolongamento das negociações salariais é a própria Educação.
O Sindicato das Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), num flagrante desrespeito com os professores, cancelou na última hora, a rodada de negociações que estava marcada para esta segunda-feira, dia 17.

No caso da Educação Básica, uma nova rodada de negociação entre os Sinpros e o Sieeesp está prevista para esta terça-feira, dia 18. Caso não se chegue a um acordo, os Sinpros poderão, mediante decisão já tomada em assembléia, solicitar à Justiça do Trabalho a instauração de dissídio coletivo da categoria.

Fonte: Sinpro/Campinas
Publicado em 17/03/2008