Sinpro/Campinas divulga manifesto
contra a Mercantilização do Ensino
e a Desnacionalização da Educação

O Sindicato dos Professores de Campinas e Região - Sinpro Campinas, vem a público manifestar sua indignação com relação ao descaso com que os patrões da educação privada têm tratado as entidades representativas dos professores por ocasião da campanha salarial deste ano.

O desrespeito para com os professores tem se intensificado de tal forma que, os Sindicatos de Professores (SIINPROs) que compõem a Federação dos Professores do Estado de São Paulo (FEPESP), não têm conseguido  implementar um ritmo de negociação junto ao sindicato patronal do ensino superior (SEMESP) e com relação ao sindicato patronal da educação básica (SIEEESP) a ameaça de perda dos direitos é constante.

Em anos anteriores os empresários do ensino utilizavam–se de dados sobre a pretensa elevação da inadimplência para justificar o corte de direitos dos professores. Contudo, neste último período foi registrado que o lucro do setor vem aumentando uma vez que a inadimplência apresenta-se em queda.

Enquanto reivindicamos uma definição do acordo coletivo para a categoria, os representantes das escolas privadas, organizados em torno dos sindicatos patronais intensificam as pressões junto ao governo para implementar a desregulamentação da educação superior privada, alegando que o excesso de regulamentações já existentes, emperra o processo de “funcionamento mais harmônico” das IES privadas.

Quando fazem essa alegação estão se referindo às exigências mínimas, colocadas pela LDB para as IES privadas tais como, a existência de um plano de carreira docente devidamente registrado, 1/3 de docentes mestres ou doutores para as universidades, necessidades de apresentação de planos de desenvolvimento institucional e programa de avaliação institucional, como sendo entraves para o livre comércio da educação brasileira.

Enquanto isso e não diferente dos professores da educação superior, assistimos os professores da educação básica resistindo às péssimas condições de trabalho, baixos salários, contratos de trabalho precarizados, temporários e por vezes até sem registro, sem falar dos ambientes antidemocráticos que predominam na maior parte das escolas privadas. Além disso, temos as classes numerosas, ausência de estímulo e incentivo acadêmico, aumento das exigências sobre o professor e ausência de compromisso com a qualidade de ensino.

Para que enfrentemos  o duro desafio  de resistir à essa ofensiva patronal, é necessário que os professores se organizem em torno de sindicatos, que efetivamente representam seus interesses, busquem aliados entre os alunos e seus familiares bem como de todos os setores da sociedade civil organizada, como forma de denunciar o processo em curso da mercantilização do ensino.

A defesa da educação pública e de qualidade com valorização do professor passa necessariamente pela regulamentação da educação privada no país, a denúncia incansável sobre  as ações que revelam as trapaças que o setor privado realiza no sentido de enganar a sociedade e o reconhecimento de que o aluno e família não são clientes, os professores não são prestadores de serviços e a educação não é mercadoria.

Junte-se a nós nessa luta
Por uma educação de qualidade, com valorização profissional e compromisso com a formação humana de qualidade em todos os níveis.
SINPRO CAMPINAS E REGIÃO

Fonte: Sinpro/Campinas
Publicado em 11/04/2008