Sinpro/SP: diretoria afirma que reportagem da Folha de SP não disse tudo

Na segunda-feira, 12 de maio, a Folha de S. Paulo publicou uma extensa reportagem sobre a desobediência que as universidades particulares cometem contra a exigência legal de que 1/3 de seus professores trabalhem em regime de tempo integral. A denúncia beira o escândalo: mais da metade dessas empresas deixam de cumprir um dos requisitos básicos para que façam jus ao seu reconhecimento como universidades. Sem um corpo docente em condições de trabalho que permitam a produção da pesquisa e o desenvolvimento de projetos junto aos seus alunos, elas dão mais uma demonstração de desrespeito às normas e que suas atividades nada têm a ver com aquilo que a sociedade brasileira espera delas. São meras empresas – a maioria delas. Só isso.

A matéria da Folha é mais uma das muitas denúncias feitas sistematicamente contra esse complexo de interesses mercantis em que o ensino superior brasileiro se transformou. A rigor, portanto, o problema não é o baixo número de professores em tempo integral. Esse é apenas o dado mais visível de um conjunto de irregularidades e de desapreço pela qualidade do ensino e pelas condições de trabalho do corpo docente: turmas superlotadas, planos de carreira feitos com o objetivo de rebaixar salários, atribuição de tutorias da educação semi-presencial a não-docentes etc.

As dificuldades que o SINPRO-SP encontrou nas negociações do Acordo Salarial de 2008 dão bem uma amostra da indiferença com que os donos de escolas de ensino superior tratam essas questões. Sua recusa categórica em negociar avanços – ainda que pequenos – em torno de cada uma das reivindicações da nossa categoria traduz não apenas despreparo para modernizar as relações de trabalho nas empresas, mas também o despreparo para entender a natureza das instituições que dirigem.

A ação normatizadora do Estado somente terá condições de colocar ordem nesse setor do sistema educacional e científico brasileiro se os professores se mobilizarem.

Diretoria do Sinpro/SP

Fonte: Sinpro/SP
Publicado em 21/05/2008