Sinpro/SP: “Modelos pedagógicos” ignoram condições de trabalho

Os professores estão abarrotados de coisas para fazer. E não é só porque o fim do semestre está próximo: toda a 1ª metade do ano foi assim. Relatórios, reuniões, avaliações individuais, mais relatórios, “encontros” com os pais, mais reuniões. As aulas que, teoricamente, seriam sua preocupação principal, nem conseguem ser preparadas como se deve. É o resultado da idéia de que, em Educação, o fundamental é o processo. Não é a toa que os resultados do ENEM apontam para um fracasso generalizado dos estudantes.

É fácil entender as causas disso. Ou por razões de mercado ou porque foram tomadas pela obsessão construtivista ou por ambos os motivos as escolas adotaram modelos que deslocaram dos conteúdos para a Psicopedagogia o eixo principal da atividade docente, mas a partir de um perfil pragmático e funcionalista do qual resulta uma perspectiva gerencial e administrativa do processo ensino-aprendizagem.

As conseqüências estão aí à vista de todos: “nenhuma importância ao domínio do professor sobre a sua matéria”, como apontou Hanna Arendt. Ao contrário: “ele (o professor) pode ensinar qualquer coisa porque sua formação é no ensino e não no domínio de um assunto particular”. E se é assim, sua atividade principal deixa de ser este ou aquele campo do conhecimento. O importante é o processo da produção do saber, com toda a angústia que isso significa para um profissional que se vê obrigado a deixar de ensinar o que sabe.

A sobrecarga de trabalho que vitima o professor é o efeito mais nocivo desse modelo porque é preciso quantificar cada passo que o aluno dá em direção a esse objetivo; e demonstrar isso sistematicamente para o conjunto de agentes que cercam a escola: os gestores, os coordenadores, os pais. O êxito do projeto pedagógico, dessa forma, é um conjunto de registros processuais e não mais os resultados efetivos da aprendizagem.

A diretoria do SINPRO-SP não tem nada contra os projetos pedagógicos de perfil construtivista ou seja lá o nome que tenham. Mas não concorda que seus pressupostos ignorem os objetivos do ensino e as condições de trabalho do professor.

Diretoria do Sinpro/SP

Fonte: Sinpro/SP
Publicado em 05/06/2008