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EAD dá sinais de esgotamento, diz diretoria do Sinpro/SP
Duas pequenas notas publicadas na revista Ensino Superior, editada pelo SEMESP, mostram o tamanho da bolha da Educação a Distância (EAD) no Brasil: em 2000, sete instituições ofereciam 10 cursos de EAD no país, com um total de 1682 alunos; em 2006, de acordo com o Censo da Educação Superior, as instituições passaram a 77, com 349 cursos e 207.206 alunos. A expansão mostra que o segmento corresponde a 4,4% das matrículas dos cursos presenciais.
Apesar disso, o percentual de evasão previsto pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) pode chegar a 70%. A tendência, se confirmada, mostra que os empresários do ensino superior cometem mais uma vez a imprevidência que caracterizou a expansão do ensino presencial, cuja sustentação hoje gira mais em torno da concorrência predatória do que em razão de padrões de qualidade. No caso da EAD, no entanto, o esvaziamento dos cursos pode repetir o que já acontece nos Estados Unidos, país onde o percentual de abandono desses cursos também já chegou aos mesmos 70%.
O levantamento feito pela Universidade de Missouri-Colúmbia – sempre de acordo com a Ensino Superior – afirma que as causas são de natureza estrutural, uma vez que as instituições prometem o que não podem cumprir, além das dificuldades de adaptação dos alunos. Já para a ABED, a evasão verificada no Brasil se explica porque a EAD “é mais rigorosa que a educação presencial. O aluno entra achando que é fácil e desiste”.
A explicação não convence e pode, na verdade, ocultar as reais dimensões do problema: a frustração intelectual dos estudantes e a desorganização das atividades dos professores, ambas provocadas invariavelmente pela significativa parcela das instituições que entraram no mercado da EAD com objetivos meramente mercantis.
A diretoria do SINPRO-SP não defende nenhuma posição que negue à EAD seu papel socialmente inclusivo e didaticamente transformador, mas entende que o descontrole desse segmento do ensino superior põe em risco sua credibilidade e as condições de trabalho docente. É preciso uma forte regulamentação nacional para que as duas coisas sejam evitadas.
Fonte: Sinpro/SP
Publicado em 09/06/2008 |
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